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Gustavo RabirerosAutor da publicação: Gustavo Rabireros

Há correlação estatística entre a quantidade de cartões, a taxa de homicídio do país e o índice de percepção de corrupção. O coeficiente de determinação (R²) entre o total de cartões por jogo e o número de assassinatos, segundo dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), é de 20%. Aumenta para 33,1% se considerarmos apenas as expulsões.

Na comparação com as informações da Transparência Internacional e seu Índice de Percepção de Corrupção, o coeficiente de determinação é de 21,8%. Ou seja, nos países onde os cidadãos mais consideram que o nível de corrupção na nação é alto, maior o número de cartões aplicados nos jogos de futebol.

A pesquisa do CIES Football Observatory, centro de estudos do futebol localizado na Suíça, também correlacionou o Produto Interno Bruto (PIB) e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos 87 países analisados (50 europeus, 15 asiáticos, dez sul-americanos, oito da América Central e do Norte, três africanos e um da Oceania). Nas nações onde os números sociais são positivos, há menor punição aos atletas dentro de campo - quanto maior o R², mais explicativo é o modelo linear. No caso do PIB, com dados do Banco Mundial, o coeficiente de determinação é 16,7%. Com o IDH a estatística cai para 11,7%.

Bolívia e Guatemala lideram o ranking de cartões por jogo com médias de 6,8 e 6,61, respectivamente. São seguidos pelo Uruguai que, negativamente, está em primeiro em cartões vermelhos no mundo (0,51). São sete países latino-americanos entre os dez no topo, completados por três europeus (Romênia, Grécia e Ucrânia).

Na parte oposta da tabela, O Japão tem o campeonato nacional com a menor média de cartões por jogo, apenas 2,56 (2,48 amarelos e 0,08 vermelhos, também os menores índices). Malásia, Noruega, Holanda e Suécia fecham o top-5.

Os bolivianos têm média de 6,2 homicídios por 100 mil habitantes, enquanto entre os japoneses o índice cai para 0,3. Entre guatemaltecos e uruguaios a estatística é ainda pior: 22,5 e 12,1. No ranking de percepção de corrupção, o Japão ocupa a 20a posição e a Bolívia a posição de número 123 de 198 países.

Heloisa Reis, especialista nas áreas de pesquisa e docência em Pedagogia do Esporte, Sociologia do Esporte e Direito Esportivo, com foco, entre outros temas, em futebol e violência, considera a pesquisa do CIES Football Observatory bem fundamentada. Doutora em Educação Física pela Unicamp, onde leciona desde 1988, e com pós-doutorado em Direito Esportivo e Sociologia do Esporte, pela Universidad de Murcia (Espanha), Heloisa entende haver, realmente, ligação entre a indisciplina no futebol e índices sociais.

"O que me ocorre é pensar a questão da educação, da autonomia e da falta de reconhecimento de autoridade. São três pontos que têm a ver, inclusive, com estudos que já orientei e fiz na pós-graduação da Unicamp. Nos países que têm os piores índices sócioeconômicos e educacionais, podemos inferir que possuem educação de baixa qualidade, que é o caso do Brasil. Raros são os casos de países que não têm uma relação de baixa qualidade na educação e nível socioeconômico baixo", afirma.

Heloisa busca explicação na formação dos cidadãos para avaliar o levantamento. "Uma boa educação educa seus cidadãos para a autonomia, não para a heteronomia. Uma educação de qualidade vai trabalhar desde a infância, até toda escolaridade, a formação de cidadãos autônomos. Independentemente de estarem sendo vigiados, eles têm clareza sobre seus direitos e obrigações, portanto vão cumprir as regras. Eles tendem a burlar menos as regras, porque se sentem parte do processo de regramento. O heterônomo não, vai sempre tentar burlar a regra, vai sempre tentar dar uma de esperto. Vamos utilizar o termo que foi usado lá atrás, que a gente trabalha criticamente, de pensar o brasileiro como parte de uma cultura de malandragem. Então, se o árbitro não está vendo, eu cometo uma falta e penso que não serei punido. Agora tem mudado com o VAR". Em relação aos índices correlacionados com a percepção de corrupção, a pesquisadora Heloisa Reis se mostra pouco surpresa. "Quando existe educação de baixa qualidade, há uma condição crítica, de análise política também, muito baixa. Então, não me estranha que países que transgridem as regras apoiem políticos mais corruptos, apoiem a corrupção de modo geral, e sejam corruptores também. Acho perfeita a correlação, muito esperada".

Por outro lado, Marcelo Weishaupt Proni, também doutor em Educação Física pela Unicamp e professor livre docente do Instituto de Economia da mesma universidade, tem um outro ponto de vista. "O estudo não está errado, mas acho que simplifica muito. Há uma relação indireta, essa é a minha impressão. A disciplina no futebol melhorou bastante a partir do final dos anos 1980 e início dos anos 1990, quando a Fifa começou a fazer a campanha do Fair Play e introduziu algumas mudanças nas regras para favorecer o espetáculo. Há um movimento de valorização do espetáculo, inclusive pela televisão, os direitos de transmissão e os patrocínios. Por isso a Fifa tenta coibir a violência, porque os clubes não podem ficar sem seus atletas por muito tempo porque levou uma pancada. Assim, os árbitros têm tentado proteger os jogadores técnicos e esse é um movimento que vem aumentando desde aquela época. Nos 30 últimos anos, houve cada vez mais uma preocupação em diminuir a violência e aumentar a qualidade do espetáculo", explica. Recentemente, a Editora da Unicamp publicou o livro "O futebol nas ciências humanas no Brasil", uma coletânea de estudos sobre o futebol realizados por mais de cinquenta estudiosos de diversas áreas de conhecimento, organizado por Marcelo Weishaupt Proni e Sérgio Settani Giglio.

Entre as grandes ligas europeias, a Premier League tem os melhores índices. São 3,39 cartões amarelos por partida e 0,12 vermelhos. Números que colocam o Campeonato Inglês em sexto no geral. O Brasil ocupa a 25a posição na média de cartões por jogo, com 5,09 (4,84 amarelos e 0,25 vermelhos).

"O Brasil é um centro futebolístico que não é rico, mas também não é pobre. Seria uma semi-periferia. Quando a gente pega indicadores como PIB ou IDH, o que mostro nos meus estudos é que aqui no Brasil o futebol-empresa, do ponto de vista financeiro, não consegue competir com os grandes centros da Europa, mas por outro lado tem uma condição muito melhor do que outros. Não à toa o Brasil começou a importar vários jogadores sul-americanos, por exemplo. De qualquer maneira, você tem um impacto econômico. Quanto mais bem organizada a liga, maior influência dessa racionalidade empresarial, mais isso afeta a arbitragem e a qualidade técnica dos jogadores", afirma Marcelo.

A comentarista de arbitragem dos canais ESPN, Renata Ruel, traz elementos práticos para entendermos melhor a pesquisa. "No ano passado, quando participei do curso da Fifa, na França, houve um lance no qual tivemos que opinar se era cartão amarelo ou vermelho. Lembro que coloquei vermelho e uma menina da África do Sul também. Os outros colocaram entre vermelho e amarelo, e o instrutor explicou que, para a Fifa, era lance de amarelo. Eu não me conformava com o lance, porque se acontecesse no Brasil, rasgando o meião do jogador, e você não coloca para fora, o árbitro não termina o jogo. Mas eu não falei nada, já a menina sul-africana falou. Disse que respeitava a decisão da Fifa, mas que no país dela, se isso acontecer e ela não aplicar o vermelho, ela só sai do campo com a polícia".

Renata acredita e entende que as diferenças culturais dos países, e consequentemente a formação de todos os envolvidos, interfere diretamente no jogo. "Sempre achei que precisamos olhar a cultura de cada país. Isso difere o jeito de apitar o futebol. Não dá para você achar que é igual, porque não é. Eu brinco que, quando a Fifa faz as regras, ela se baseia no futebol europeu. Quando vai sancionar uma nova regra, uma alteração, ela se baseia no futebol europeu, que tem uma cultura diferente da nossa", explica a ex-árbitra e assistente. Renata se lembra de uma experiência em torneios de base, nos Estados Unidos, em que comandou partidas de times do mundo inteiro, masculino e feminino. "Equipes do Japão eram muito aplicados taticamente e não reclamavam. Times europeus também não davam problema, mas os sul-americanos e da América Central eram um inferno. Para o árbitro, de reclamação e pressão, não só dos jogadores, mas de pais e comissão técnica, como também a diferença em campo, os tipos de entradas, pontapés. Esse estudo do CIES Football Observatory tem tudo a ver. A cultura do local interfere, sim, no futebol".

A média global é de 4,42 cartões amarelos por jogo e 0,25 vermelhos. Os times visitantes são os mais punidos, 53% nas advertências e 56,7% nas expulsões. Além disso, os amarelos foram aplicados no segundo tempo em 65,8% dos casos, enquanto os vermelhos em 81,8%. Nesses aspectos, há pouca variação entre os continentes.

Zé Elias, comentarista dos canais ESPN, atuou profissionalmente de 1993 a 2009. Jogou no Brasil, na Itália, na Grécia, no Chipre e na Áustria, além de ter vestido a camisa da seleção brasileira dez vezes, antes de encerrar a carreira, muito marcada também pelo alto número de cartões recebidos - principalmente no início. O ex-jogador explica de maneira bem direta como age um atleta em ambientes onde o respeito não impera.

"O futebol está inserido no contexto da sociedade. Essa pesquisa mostra exatamente o que é o futebol. Quando você toma muito cartão amarelo, fazendo uma comparação, é a mesma coisa que você estar se defendendo da violência. Bateu, levou. Aquela coisa de ação e reação, você entra em campo com isso na cabeça. O árbitro também já entra condicionado com esse tipo de situação, está acostumado com esse tipo de coisa. Ele também leva a forma dele de pensar como ser humano para o campo, embora haja as questões técnicas e das regras do futebol. Isso segura determinadas atitudes, mas o jogador reflete em campo aquilo que ele cresce, que pensa, que vê no dia a dia. Se há ordem e respeito, você vai respeitar. Caso contrário, vai entrar em campo achando que pode fazer tudo. Se você não tem respeito, o juiz passa a ser uma figura decorativa", afirma Zé Elias.

O cenário exposto tem relação direta com a forma como cada cidadão lida com o outro. "Há uma crise moral onde a autoridade não é mais respeitada. Porque faltam representantes que tenham um perfil de autoridade para se espelhar, em termos éticos e morais, e porque indivíduos heterônimos não vão respeitar as autoridades, ao menos que se vejam em risco. Outra questão, que abordamos na área de treinamento, é que equipes em inferioridade técnica e tática, tendem a cometer mais faltas", explica Heloisa, que atuou como árbitra de futebol amador nos anos 1980. "Há toda uma correlação de respeito à autoridade. Essa questão de ser indivíduo autônomo ou heterônimo, tem tudo a ver com respeitar a autoridade. Aqui temos, desde a várzea até o futebol profissional, uma cultura de pressão sobre o árbitro, de desrespeito pela função dele".

O exemplo dado por Heloisa já foi vivenciado por Zé Elias. "Quando eu jogava na base, onde há uma mistura de classes muito mais forte do que no profissional, você percebe esses comportamentos de falta de respeito. E não apenas contra o árbitro, mas de jogador para jogador, jogador para treinador, jogador para auxiliar técnico. Existe sempre essa troca de culturas, e muitas vezes há diversos problemas disciplinares, porque em casa você não tem uma formação ideal. Não há hierarquia, na qual você sabe que precisa respeitar os mais velhos, determinados cargos, como o caso do juiz, que é a figura máxima do respeito. Isso não é trabalhado, não existe nas categorias de base, e em muitos desses países da pesquisa, eu duvido que seja feito um trabalho de prevenção em termos comportamentais".

Na prática, o futebol promove um tipo de inclusão social radical a diversos garotos e garotas pelo mundo. Crianças que cresceram em um ambiente muitas vezes tóxico, e que pelo talento conseguem rápida ascensão econômica - quase sempre desacompanhada de uma boa formação socioeducacional. A vida do cidadão é indissociável da vida de atleta em todos os aspectos possíveis.

O CIES Football Observatory conclui na pesquisa que "jogos de futebol são disputados sob diferentes dinâmicas de acordo com o contexto social, econômico, político e cultural de cada país". Os números, de acordo com o levantamento, "confirmam a ligação muito forte entre o futebol e a sociedade e revelam a importância de levar em consideração as especificidades de cada país na análise fina do jogo dentro de um contexto de globalização".

"O aspecto cultural é muito importante. De fato, nos países onde você tem uma sociedade mais civilizada, aquele meioambiente influencia bastante, tanto as torcidas, como os atletas dentro de campo. Os times visitantes, pela pesquisa, recebem mais cartões, porque há influência, maior pressão da torcida", analisa Marcelo.

O futebol é um esporte de fácil compreensão para todo planeta, e essa é uma linha utilizada pela sociologia para explicar o fenômeno global que se tornou. O jogo é o mesmo em todos os lugares do mundo, com as mesmas regras, mas as culturas do que é tolerado variam de país para país.

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A invasão da Rússia na Ucrânia gera gravíssimas situações para o povo ucraniano. Em conflitos bélicos, a população vulnerável é sempre quem mais sofre. Milhares buscam fugir do país pelas fronteiras com Polônia, Eslováquia, Romênia e Moldávia. Tantos outros simplesmente não conseguem deixar Kiev, capital do país, para onde as tropas russas avançam. Várias cidades estão sendo atacadas desde as primeiras horas desta quinta-feira (24). Inevitavelmente, o esporte é atingido.

O Campeonato Ucraniano foi oficialmente suspenso por 30 dias. Retornaria, após a longa pausa de inverno, nesta sexta-feira (25). Praticamente todos os times retornaram ao país, depois de intertemporada na Turquia. O que, infelizmente, provocou o isolamento de vários jogadores em locais atingidos pelo conflito.

Desde o início da guerra, em 2014, com a revolução ucraniana chamada de Euromaidan e a declaração de independência das repúblicas de Donbass, no leste, o país está dividido. O Shakhtar foi obrigado a deixar Donetsk, um dos epicentros das batalhas, e se mudar inicialmente para Kharkiv, depois Lviv e, por fim, Kiev, desde 2020. Lá estão, agora, todos os 12 jogadores brasileiros do clube, além de Júnior Moraes, naturalizado ucraniano. Ao lado de Vitinho, do Dínamo de Kiev, e todos familiares, os atletas estão em um hotel na capital aguardando alguma solução.

Sem o mesmo apelo ou condição financeira privilegiada estão jogadores brasileiros de outros clubes. Guilherme Smith, Cristian e Juninho são atletas do Zorya, que também abandonou sua cidade em 2014, deixando para trás Luhansk e se estabelecendo em Zaporizhzhia, cerca de 400km a oeste. Em Kharkiv estão Derek, Fabinho e Marlyson, sem poder sair. Neste momento, de absoluta incerteza com o futuro da Ucrânia, todos precisam apenas de ajuda do governo brasileiro para conseguirem retornar.

"As famílias de funcionários, que possuem uma questão financeira mais abaixo, sofrem bastante. Os jogadores podem correr para outro país próximo, mas as pessoas daqui em dificuldade financeira, não. São cidades pobres, fica muito difícil para essas pessoas. A gente fica preocupado com elas, porque são pessoas do bem, só querem ser felizes, andar pelas ruas igual no resto dos países", afirmou com exclusividade para o blog Guilherme Smith, ex-Botafogo e desde o ano passado na Ucrânia. Já Fabinho, também em testemunho para o blog, disse que em Kharkiv as coisas ainda estão "aparentemente tranquilas", mas ele e os companheiros de Metalist seguem muito tensos.

Outros estrangeiros passam por situações semelhantes. O jogador argentino Claudio Spinelli, do Oleksandria, conseguiu fugir com os companheiros pela fronteira polonesa, confirmou o pai do atleta nas redes sociais: "Está escapando, pegou suas poucas coisas no apartamento e está tratando de escapar. Está em uma rota até a Polônia "

A Uefa, surpreendentemente e diferentemente do que aconteceu em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia, se posicionou a favor da Ucrânia. A final da Champions League desta temporada, marcada para São Petersburgo, será retirada, já informam diversas fontes internacionais. Nesta sexta haverá uma reunião extraordinária da entidade para confirmar e anunciar tal decisão. Há outros problemas por vir ainda no campo do futebol internacional.

Em 24 de março, a Rússia receberia a Polônia - adversária política do governo de Vladimir Putin - em Moscou, pela repescagem europeia para a Copa do Mundo. Se vencesse, jogaria a decisão da vaga novamente na capital russa contra Suécia ou Tchéquia. As três seleções adversárias já divulgaram manifesto conjunto contrário à realização desses jogos em território russo. Há possibilidade real de suspensão da seleção russa, como já aconteceu com a Iugoslávia na década de 1990.

Vale lembrar que a seleção ucraniana também está na repescagem, com partida programada contra a Escócia, fora de casa. A base da equipe é formada por Dínamo de Kiev e Shakhtar Donetsk, que não terão mais atividade até lá. Oleksandr Zinchenko, jogador do Manchester City e da seleção ucraniana, publicou em suas redes sociais mensagem contra o presidente da Rússia: "Putin, espero que morra sofrendo a morte mais dolorosa "

Quem também se manifestou foi Andriy Shevchenko, maior ídolo do futebol ucraniano. "Ucrânia é minha pátria. Sempre tive orgulho do meu povo e do meu país. Passamos por momentos muito difíceis e nos últimos 30 anos nos formamos como nação. Uma nação de cidadãos sinceros, trabalhadores e amantes da liberdade " As manifestações não foram apenas do lado ucraniano. Fyodor Smolov, jogador da seleção russa, através de seu Instagram, escreveu "Não à guerra "

A maior empresa russa é a Gazprom, uma das principais patrocinadoras da Uefa. Também estava na camisa do Schalke 04, da Alemanha, que anunciou nesta quinta a retirada da marca de seus uniformes e futuras conversas sobre o acordo.

"Tenho medo também. Muito mais do que no futebol, tenho medo da guerra. Tenho muitos amigos em Kiev e, mesmo que não tivesse, não queria a guerra. A maioria dos russos também não quer", afirmou também ao blogo o jornalista russo Grigory Telingater. "Não sei o que vai acontecer. Não sei. Amigo, é difícil dizer, depende do que os outros países acham. Tenho dúvidas que outros países queiram enviar suas armas e seus soldados para a Ucrânia "

Enquanto isso, clubes russos também sofrem com a decisão de seu presidente em invadir a Ucrânia. Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido anunciaram uma série de sanções econômicas a empresas russas. O CSKA Moscou, do lateral Mário Fernandes, tem como maior acionista o bance VEB, punido pelos norte-americanos. Por isso, na lista divulgada pelo governo dos EUA, o clube moscovita apareceu oficialmente entre os citados.

Até então, apenas o Akhmat Grozny, clube da Chechênia, era o único na Rússia com sanções dos Estados Unidos, acusado de vínculo com movimentos terroristas na região. Além das perdas econômicas, o Akhmat perdeu também o direito de manter um canal no YouTube, por exemplo, uma empresa de capital norte-americano. O Sochi, que atualmente briga por um lugar na próxima Champions League, também deve sofrer consequências. A equipe pertence a Boris Rotenberg, bilionário amigo do governo russo e sancionado pelos Estados Unidos.

Aliás, a cidade de Sochi é um dos maiores exemplos de como futebol e política estão tão alinhados na Rússia. O local é tratado com enorme carinho por Putin, que há muitos anos destina recursos para a região para transformar Sochi em um enorme pólo turístico. Esportivamente, ganhou as Olimpíadas de Inverno, a prova de Fórmula 1 e um time profissional de futebol.

Nas últimas semanas, com o acirramento das tensões, antes ainda da invasão, muito se falava sobre a possibilidade de Shakhtar e Zorya passarem a disputar o Campeonato Russo. Isso jamais iria acontecer, pela falta de reconhecimento internacional das ações russas. Logo, Fifa e Uefa lavariam as mãos, como fizeram na questão da Crimeia, onde os clubes hoje são praticamente apátridas - estão proibidos de se vincular à federação russa e não fazem parte da estrutura ucraniana.

Agora, porém, a preocupação é outra. Trata-se da própria sobrevivência dos clubes ucranianos com o país sendo invadido por outra nação. Inicialmente, imaginava-se apenas a anexação dos territórios de Donetsk e Luhansk, até por isso as equipes passavam para os jogadores brasileiros mensagens de tranquilidade. As últimas 24 horas se tornaram um turbilhão político e bélico.

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No próximo dia 25, Minai e Zorya entram em campo pela 19a rodada da Premier League ucraniana. Será a partida de retomada da competição, após a longa e necessária pausa de inverno. Ao menos isso é o que está previsto na tabela. Com os últimos acontecimentos na tensa relação entre Ucrânia e Rússia e o risco iminente de invasão dos russos, é impossível prever qualquer coisa em território ucraniano.

O líder do campeonato, Shakhtar Donetsk, está na Turquia, onde realiza intertemporada costumeiramente. No último sábado enfrentou o Shakhter Karagandy, do Cazaquistão, em amistoso e venceu por 2 a 1. David Neres, reforço de 15 milhões de euros desta janela de transferências, esteve em campo. Nos próximos dias, jogadores e comissão técnica seguirão para suas casas em Kiev, capital ucraniana, e não para Donetsk, cidade do clube na região de Donbass. Desde 2014, quando a guerra no leste da Ucrânia começou, com grupos pró-Rússia se rebelando contra o governo ucraniano, o Shakhtar passou a ser um clube refugiado, sem direito a retornar para sua cidade, um dos epicentros do conflito.

Os torcedores pelo mundo já se acostumaram às "travas" da UEFA em seus sorteios de Champions League e Europa League: clubes ucranianos e russos não ficam no mesmo grupo e todos esforços possíveis são feitos para evitar cruzamentos em fases de mata-mata. Donbass é uma região ideologicamente ligada à Rússia, onde o russo é a primeira língua. O Shakhtar não é o único atingido diretamente pela guerra; ainda mais à leste está o Zorya Luhansk, obrigado a mandar seus jogos em Zaporizhzhia, 400km à oeste de Luhansk e distante da fronteira com a Rússia.

"Estou acompanhando tudo. Meus amigos, meus familiares, algumas pessoas sempre me perguntam como estão as coisas aqui. Todos ficam preocupados, porque é algo que está passando em todos os lugares, é o assunto mais comentado no mundo no momento. Procuro estar focado em treinar e trabalhar, mas claro que a gente pensa o que vai acontecer, o que pode acontecer conosco E isso envolve muitas famílias, muitas pessoas do bem. A gente torce para não acontecer nada, fica em oração, pedindo a Deus, para não acontecer nada", relata o atacante Guiherme Smith, ex-Botafogo, contratado pelo Zorya em junho do ano passado. "O clube informa para não ficarmos preocupados com isso, só para trabalhar nesta inter-temporada e fazermos um resto de campeonato ótimo", completa o jogador, que neste momento realiza a intertemporada com o Zorya também na Turquia.

Guilherme, de apenas 18 anos, é um dos três brasileiros do clube de Luhansk. Já no Shakhtar são atualmente 12 jogadores oriundos do Brasil, além de Júnior Moraes, naturalizado ucraniano. Curiosamente, na prevista retomada do Campeonato Ucraniano, Zorya e Shakhtar atuarão como visitantes em regiões extremamente nacionalistas da Ucrânia, próximas às fronteiras com Polônia e Eslováquia. No entanto, com o aumento das movimentações militares da Rússia, o cerco já feito através de suas próprias divisas e também pelo território de Belarus e da Crimeia e o fracasso de negociações conduzidas por Estados Unidos e aliados europeus, o ápice desta guerra que começou em 2014 parece se aproximar. Se isso acontecer, inevitavelmente o futebol será ainda mais atingido.

"A gente fica com medo, apreensivo, porque não sabe realmente o que está acontecendo. Por causa da língua, não temos muita informação, mas se acontecer algo mesmo o clube vai nos informar. De qualquer modo, é claro que a gente fica apreensivo. O povo ucraniano é um povo muito querido, as pessoas me acolheram muito bem e eu tenho um carinho muito grande pela Ucrânia. Não só por estar jogando aqui, mas por realmente terem me acolhido muito bem. Isso que está acontecendo envolve muitas famílias que eu conheço, pessoas que viraram meus amigos", conta Guilherme.

Desde a anexação da Crimeia pelos russos em 2014, os clubes da península se tornaram, praticamente, apátridas. Não jogam na Ucrânia e foram proibidos por FIFA e UEFA de participarem das competições russas - basicamente para evitar maiores crises diplomáticas para as duas entidades, já que a comunidade internacional, na maioria, não reconhece a Crimeia como parte do território russo. Há o caso específico do atual FC Simferopol que ajuda a entender a complexidade de tudo que envolve esse conflito.

Primeiro campeão na história da Premier League ucraniana, em 1992, logo após a dissolução da União Soviética, o Tavriya Simferopol deixou de existir com o início da guerra em 2014 e foi refundado apenas como FC Simferopol. A federação ucraniana, no entanto, decidiu manter a história do clube em seu país ao criar um novo Tavriya Simferopol e alocá-lo em Kherson, maior cidade próxima à fronteira com a Crimeia, no sul da Ucrânia. Assim, o FC Simferopol joga atualmente a liga da Crimeia e o Tavriya Simferopol disputa a segunda divisão ucraniana.

Portanto, a eventual invasão russa em território ucraniano e a anexação das regiões de Luhansk e Donbass não colocariam Zorya e Shakhtar no Campeonato Russo imediatamente, como muitos poderiam imaginar. A pressão internacional é enorme, com os Estados Unidos, através de seu presidente, Joe Biden, ameaçando sérias consequências para a Rússia. A escalada da tensão na região é cada vez maior, com várias nações já orientando a saída de seus cidadãos da Ucrânia. Como não haveria grande reconhecimento internacional em relação à ação russa, FIFA e UEFA não entrariam no imbróglio geopolítico. Lavariam as mãos, como no caso da Crimeia.

Análise divulgada na semana passada pelo Stratfor, renomado centro norte-americano de estudos globais de geopolítica, indica o enfraquecimento dos Estados Unidos como potência negociadora de crises. "Sob essas circunstâncias, os EUA – não querendo uma guerra na Ucrânia, mas se sentindo compelidos a se envolver de qualquer maneira – estariam enviando uma mensagem muito clara: 'Conhecemos seus planos e atacaremos você'. O problema com essa teoria é que, se os EUA pretendessem combater um ataque russo por outros meios que não as sanções, teriam deixado claras suas intenções muito antes da véspera de uma invasão. Mais importante, os russos teriam visto os preparativos americanos. A Rússia seria claramente capaz de reconsiderar seus planos se estivesse genuinamente preocupada com a resposta dos EUA".

O artigo é bastante crítico à postura norte-americana com o conflito. "Os EUA se abstiveram de dizer abertamente que a guerra está chegando e que responderá com todo o poder à sua disposição. Anunciou apenas as 'intenções' da Rússia, sem qualquer sugestão pública de que os EUA pretendem fazer algo a respeito. É como se os EUA quisessem que o mundo soubesse que a Rússia em breve atacará sem fazer nada além de dar um alarme. Esta é uma maneira estranha de construir credibilidade. Se você não pretende agir, seria melhor fingir surpresa. Ter conhecimento e ainda ser derrotado é uma má opção".

Vladimir Putin, presidente da Rússia, torcedor do Zenit São Petersburgo e entusiasta da utilização do esporte como ferramenta de propaganda, não aceita a inclusão da Ucrânia na OTAN - Organização do Tratado do Atlântico Norte, aliança militar criada em 1949 após o fim da Guerra Fria. Historicamente, a Ucrânia é considerada o coração da nação russa, elemento central de sua identidade.

Volodimir Zelensky, terceiro presidente da Ucrânia desde a deposição de Viktor Yanukovich, que desencadeou todo conflito em 2014, afirma que as pretensões russas ferem a autonomia de seu país. Durante o período soviético, milhões de ucranianos morreram de fome entre 1932 e 33 no que ficou conhecido como Holodomor, ou a Grande Fome, e marcou para sempre gerações de famílias ucranianas.

Rinat Akhmetov, bilionário e proprietário do Shakhtar, foi acusado nos últimos anos de financiar grupos pró-Rússia durante o conflito. A Arena Donbass, em Donetsk, estádio de 400 milhões de dólares erguido por Akhmetov para o Shakhtar em 2009, está fechado há oito anos. Nesse período, mais de uma vez foi avariado por bombas. Desde então o Shakhtar passou a mandar jogos em Lviv, depois Kharkiv e em 2020 se estabeleceu em Kiev. Isso cria situações inimagináveis, como por exemplo com o lateral brasileiro Dodô, ex-Coritiba, contratado pelo clube em 2018, que simplesmente não conhece Donetsk.

"Quando cheguei, fomos direto para a cidade do rival, jogamos no estádio do rival. Em Kiev, não temos o número de torcedores nas arquibancadas que desejamos, porque está fora da cidade, mas na Champions ao menos lota. Isso é algo bem incomum, sentimos falta da torcida. Eu nunca peguei um jogo com toda torcida do Shakhtar como em Donetsk, com o estádio lotado", contou Dodô em entrevista à ESPN em maio do ano passado. Na época, Akhmetov desejava retornar o mais rápido possível a Donetsk. Diferentemente dos jogadores, que se sentiam seguros na capital ucraniana.

Passados oito meses desde então, o sonho de voltar a atuar na Arena Donbass é algo cada vez mais distante. Assim como a solução para um conflito que fortalece o ego dos poderosos e atinge a população vulnerável da região.

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Quando o Palmeiras anunciou a negociação de Arthur Cabral com o Basel, em junho de 2020, o destino chamou atenção. Apesar de não possuir grande histórico de jogadores brasileiros - Arthur se tornou o 13o na lista do clube - o Basel é uma equipe que desenvolve muito bem jovens talentos. O recrutamento promovido na Basileia é de altíssima qualidade e grandes atletas tiveram espaço para esse desenvolvimento jogando na Suíça. Dezoito meses depois, é possível afirmar com tranquilidade que a mudança fez muito bem ao atacante formado no Ceará e pouco aproveitado no alviverde.

Foram 106 jogos, com 65 gols marcados e 19 assistências em 7960 minutos. O título em campo não veio, bateu na trave com o vice-campeonato suíço na temporada passada. O que veio foi a classificação para a Conference League, onde o time segue vivo e já classificado para as oitavas de final, muito graças aos cinco gols marcados por Arthur. Em termos financeiros, os seis milhões de euros investidos em 2020 foram suficientemente pagos com o desempenho esportivo e os 14 milhões de euros pagos pela Fiorentina na semana passada.

Já Bruno Guimarães deixou o Brasil em situação bem diferente. Foi negociado pelo Athletico-PR por 20 milhões de euros com o Lyon e saiu do país já na condição de um dos mais promissores meio-campistas do futebol brasileiro. Desembarcou na França pouco antes do início da pandemia, aproveitou o período de confinamento para aprender a falar francês e se tornou titular absoluto no meio-campo lyonnais. Despede-se do Lyon com 71 jogos, três gols, oito assistências e o carinho do torcedor francês.

Em comum, os dois terão enormes desafios pela frente, mas bem diferentes. Arthur Cabral troca a Basileia por Florença com a responsabilidade de substituir Dusan Vlahovic, atacante sérvio de 21 anos, autor de 17 gols na temporada do Campeonato Italiano, negociado por 75 milhões de euros com a Juventus. Chega em um time que funciona muito bem com um centroavante, o que vai lhe ajudar na adaptação tática, acima de tudo. Pela expectativa, o brasileiro foi contratado para ser titular, mas haverá concorrência com o polonês Krzystof Piatek.

Já Bruno desembarca em um projeto audacioso e ao mesmo tempo conflituoso neste momento. Após ser adquirido por um fundo de investimentos árabe, bancado na prática pela Arábia Saudita, o Newcastle pretende bater de frente com os mais poderosos clubes do mundo. Precisa agora, no entanto, garantir permanência na próxima temporada da Premier League, já que luta contra o rebaixamento. O clube do norte da Inglaterra é apenas o 18o colocado com 15 pontos conquistados após 21 jogos.

Chris Wood e Kieran Trippier chegaram antes e já melhoraram a equipe treinada por Eddie Howe, outro que chegou no meio da turbulência. Foram contratações bem específicas, de jogadores que conhecem o campeonato e garantiriam auxílio imediato, sem necessidade de adaptação - assim como o lateral Matt Targett, do Aston Villa, contratado no último dia deste mercado. O meio-campista da seleção brasileira entra em outra categoria de reforço. Bruno pode ser considerado, na prática, a primeira grande contratação da era milionária do Newcastle, em acordo que, somando cláusulas de bônus, poderá chegar a 50 milhões de euros.

Aos 24 anos, é um jogador para o futuro, com enorme potencial de evolução, mas que obviamente precisará também ajudar de maneira imediata. Está claro que não há meio-campista melhor do que ele no clube, e Bruno aterrissará em Newcastle upon Tyne com a missão de ser um dos principais jogadores do time no distanciamento da zona de descenso - algo que parece ainda mais provável após esta janela de transferências, mas que está longe de ser garantido. Jogar a Championship, a segunda divisão inglesa em 2022-23, não está nos planos de qualquer um envolvido na negociação.

Tanto Bruno Guimarães como Arthur Cabral sobem o nível de competição. Enquanto o atacante troca a Super Liga suíça e a Conference League pela Serie A, uma das cinco ligas mais fortes da Europa, o meio-campista vai para a liga mais forte do continente. Ambos terão a oportunidade de provarem seus talentos e confirmarem as grandes expectativas criadas sobre eles. Sem falar que a Copa do Mundo acontece no final do ano.

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Bruno Guimarães deve se tornar jogador do Newcastle nos próximos dias. Nesta semana, o Lyon, atual clube do meio-campista brasileiro, aceitou proposta de 40 milhões de euros feita pelos ingleses. Faltam detalhes, como o tempo de contrato, para o acerto entre clubes, jogador e representantes do atleta. O Lyon negou publicamente o acordo.

A oferta inicial do Newcastle pelo jogador de 24 anos foi de 30 milhões de euros. Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon, recusou e pediu 40 milhões à vista, o que foi prontamente aceito. O clube francês pretende arrecadar cerca de 120 milhões de euros em negociações, para solucionar problemas de débito. Lucas Paquetá pode ser o próximo jogador negociado por Aulas.

Bruno Guimarães, assim como Paquetá, está no Equador com a seleção brasileira para a partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo. Ele informou aos seus empresários que conversará com a família sobre a transferência, mas deseja atuar na Premier League. Nesta sexta, os jogadores da seleção têm folga prevista e já estarão no Brasil. O negócio deve ser acertado por telefone entre todas partes envolvidas, mas o exame médico necessário para finalizar a transação aconteceria somente na sexta.

Alexis Malavolta, empresário de Bruno Guimarães, viajará para Belo Horizonte - onde o Brasil enfrentará o Paraguai na próxima terça-feira - para tratar dos últimos detalhes da transferência com o jogador. Giuliano Bertolucci e Kia Joorabchian também são sócios no agenciamento da carreira do meio-campista do Lyon, que surgiu nacionalmente no Athletico-PR em 2017 e foi negociado com o Lyon em janeiro de 2020 por 20 milhões de euros.

O Newcastle foi comprado em outubro do ano passado por um fundo de investimento árabe, ligado ao governo da Arábia Saudita. Nesta janela de transferências o clube já contratou o atacante Chris Wood, do Burnley, por 30 milhões de euros, e o lateral-direito Kieran Trippier, do Atlético de Madrid, por 15 milhões.

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Se na semifinal contra o Barcelona o Real Madrid teve mais dificuldades do que a maioria poderia imaginar, na final contra o Athletic Bilbao o 2 a 0 foi bem tranquilo, apesar do susto no final. Dominante do início ao fim, com maior posse de bola e imposição ofensiva, os blancos levantaram o troféu da Supercopa espanhola pela 12ª vez e agora estão a uma conquista dos recordistas culés.

Com apenas um desfalque, o lateral-direito Dani Carvajal, Carlo Ancelotti pôde mandar a campo seu time quase ideal da temporada - com a permanente troca entre Rodrygo e Marco Asensio, feita jogo a jogo. Controlou o ritmo e abriu dois gol de vantagem, o que fez com que no final recuasse e aceitasse a pressão dos bascos. O pênalti cometido por Éder Militão deu um pouco de emoção aos minutos finais, mas Thibaut Courtois não estava disposto a passar sufoco.

O Real Madrid, hoje, é um time bastante confiável. Excelente goleiro, linha de defesa forte com Militão e David Alaba, meio-campo clássico (Luka Modric, que jogador maravilhoso) e um ataque desequilibrante, graças a Vinicius Júnior e Karim Benzema. A enorme vantagem em LaLiga sobre os principais adversários, apesar do Sevilla ainda estar perto, mostra o nível merengue dentro do futebol espanhol. A temporada começou totalmente incerta, mas com o Atlético investindo muito e dúvidas de sobra no Barcelona, além do próprio retorno de Ancelotti ao Santiago Bernabéu. Agora já não há mais dúvidas sobre o melhor time da Espanha, e o título da Supercopa evidencia isso outra vez.

No entanto, há algo além das quatro linhas para ser analisado. Desde 2018, quando a Supercopa espanhola mudou de formato e passou a ser disputada fora do país, a questão está presente nos debates esportivos. Naquele ano, pela primeira vez a competição foi decidida em partida única e em Marrocos, com o título do Barcelona contra o Sevilla. O contrato com a Arábia Saudita e a última mudança de formato, com semifinais e finais, passaram a vigorar em 2019-20 e o Real Madrid campeão nos pênaltis sobre o Atlético de Madrid. Em 2020-21, por causa da pandemia, retorno para território espanhol e jogo solitário, disputado em La Cartuja e triunfo do Athletic Bilbao sobre o Barça.

A cobertura da imprensa espanhola foi forte em Riad. Todos os principais jornais esportivos e canais de televisão enviaram seus melhores repórteres e comentaristas. A quantidade de informações foi enorme, assim como as críticas à ideia de levar o torneio para fora do país. É muito difícil, para não dizer impossível, ouvir algum torcedor ou jornalista que defenda isso. Para piorar, os estádios com as arquibancadas bem longe de estarem cheias reforçaram as críticas. E todas essas questões estão restritas apenas ao campo esportivo, porque o maior de todos absurdos é levar a Supercopa para um país que não respeita os direitos humanos.

A Real Federação Espanhola de Futebol, presidida por Luis Rubiales, não se incomoda e lucra com essa bizarra situação. Ainda há mais um ano de contrato, para o qual receberá outros 40 milhões de euros (R$ 252 milhões), sendo metade repartida entre os quatro times participantes - o campeão leva 12,5 milhões de euros (R$ 79 milhões). Assim caminha a humanidade.

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O Atlético de Madrid havia sido eliminado da Copa do Rei pelo Albacete, da terceira divisão, e estava apenas na décima posição de LaLiga. Enrique Cerezo, presidente do clube, e Miguel Ángel Gil Marín, CEO, optaram pela demissão do técnico Gregorio Manzano. Ao iniciar a busca por um substituto, pensaram no ex-colchonero Diego Simeone, então com 41 anos.

Volante do Atlético de 1994 a 97 e depois entre 2003 e 2005, Simeone começara a carreira de treinador cinco anos antes no Racing, na Argentina. Depois comandou Estudiantes, River Plate e San Lorenzo, antes de desembarcar na Sicília no início de 2011 e salvar no meio do ano o Catania do rebaixamento na Serie A. Ao receber a ligação do Atleti em 23 de dezembro daquele ano, não hesitou.

A partir daí um novo capítulo na história do Atlético de Madrid foi escrito. Simeone se tornou um dos maiores técnicos na história colchonera e um dos grandes responsáveis pela recuperação da condição de grande do clube na Espanha. A temporada 2011-12 terminou com a quinta colocação para o Atleti e a classificação para a Europa League. De lá para cá são dois títulos de LaLiga, uma Copa do Rei, uma Supercopa da Espanha, duas Europa Lagues e duas Supercopas europeias, além de dois vices na Champions League. São 551 jogos, com 326 vitórias, 130 empates e 96 derrotas.

É absolutamente indiscutível o tamanho de "Cholo" Simeone na história do futebol espanhol. Agora, no momento em que completa dez anos à frente do Atlético, enfrenta sua pior sequência no Campeonato Espanhol com quatro derrotas seguidas pela primeira vez. Atual campeão e com elenco reforçado para a temporada, as expectativas eram muito altas sobre os comandados do técnico argentino. Rodrigo de Paul e Matheus Cunha reforçaram um time já muito forte, que posteriormente ainda ganhou o retorno de Antoine Griezmann - aposta pessoal do treinador.

Com Simeone, o Atlético mudou de mentalidade e passou a ter um estilo de jogo bem definido: marcação forte, pressão sem a bola e muita transição. Sem exagero, o clube passou por uma revolução no futebol. O passar dos anos exigiu mudanças táticas, inovações por parte do argentino. Elas aconteceram. Hoje em dia a equipe pode variar do 3-5-2 para o 3-4-3 ou mesmo retomar o consagrado 4-4-2. Sobra qualidade individual, há profundidade no elenco, mas nos últimos meses a equipe tem rendido abaixo do potencial que possui.

A própria campanha do título em 2020-21 teve queda de rendimento considerável no segundo turno, de certa maneira mantida para o atual estágio. Contra o Granada, nesta quarta-feira, João Félix abriu o placar com dois minutos e logo depois o Atleti recuou demais, algo que tem acontecido com frequência. Isso permitiu ao time da Andaluzia crescer empatar com um golaço de Darwin Machís.

Na Champions League desta temporada as cobranças por maior imposição são similares. O Atlético sofreu mais do que deveria para avançar às oitavas de final, e isso não significa mudança de estilo de jogo. Parece bastante utópico imaginar que Diego Simeone, após dez anos de sucesso, vá mudar a forma de jogo de sua equipe. O problema, no entanto, atual é que a própria ideia não está sendo bem executada em campo. "Desatenção defensiva" e "falta de concentração" foram termos utilizados por Simeone na coletiva, após o 2 a 1 para o Granada, conquistado com gol do veterano Jorge Molina e muitas defesas do excelente Luix Maximiano.

A transformação do Atlético de Madrid, com os títulos conquistados e a presença constante na Champions, mudou a condição do clube fora dos campos também. Nos últimos anos, o Atleti está sempre entre os dez que mais investem em reforços e ainda construiu seu novo estádio, o Wanda Metropolitano, ao custo de aproximadamente 240 milhões de euros. A imagem de "coitadinho" ou mesmo de "primo pobre" de Real Madrid e Barcelona, por mais que haja diferença histórica, já não condiz com a realidade. Por isso a cobrança também aumenta a cada ano.

O atual vínculo de Diego Simeone com o Atlético de Madrid vai até 30 de junho de 2024. Em Manzanares, ninguém pensa em mudança de rumos. O caminho percorrido mostra que o sucesso foi alcançado, e que não há pessoa mais identificada com o clube do que o argentino de 51 anos, formado na base do Vélez Sarsfield, para seguir à frente dos colchoneros.

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Sevilla x Dinamo Zagreb: o último levantamento do CIES Football, deste ano, coloca o Dinamo como a terceira base com mais jogadores (70) em atividade em 31 ligas europeias analisadas, atrás apenas de Ajax e Shakhtar.

RB Leipzig x Real Sociedad: Alexander Sorloth está emprestado pelo Leipzig à equipe basca até o final da temporada. O atacante norueguês tem apenas 26 anos, mas já está em seu nono clube na carreira. Marcou dois gols e deu uma assistência na campanha continental da Real.

Zenit x Betis: as duas cidades que receberão as finais de Champions e Europa League serão palcos para os jogos. O estádio Krestovsky, em São Petersburgo, sedia a decisão da Champions, e o Ramón Sánchez-Pizjuán, casa do rival do Betis, o Sevilla, fica com a final da Europa League.

Sheriff x Braga: Portugal mantém em Chisinau, capital da Moldávia, um centro de língua portuguesa na universidade local. Tiraspol fica na Transnístria, região separatista, mas o relacionamento entre as regiões é harmonioso - mesmo com controle de fronteira e moeda diferente.

Atalanta x Olympiacos: o Olympiacos se tornou, na Copa da UEFA de 1972-73, o primeiro time grego a vencer um adversário italiano fora de casa. Eliminou o Cagliari, de Gigi Riva, Angelo Domenghini e Pierluigi Cera, na primeira rodada com duas vitórias.

Borussia Dortmund x Rangers: Claudio Reyna, pai de Gio Reyna, defendeu o Rangers entre 1999 e 2001. Ele esteve em campo, ao lado do atual técnico, Giovanni van Bronckhorst, na eliminação dos escoceses contra o Dortmund nos pênaltis, pela terceira rodada da Copa UEFA de 1999-2000.

Porto x Lazio: Sérgio Conceição é o elo de ligação entre os clubes. No Porto se destacou e em 1998 se transferiu para a Lazio, onde jogou até 2000 e depois entre 2003 e 2004, até retornar à equipe portista. Comanda o Porto desde 2017 e soma dois títulos portugueses como técnico.

Olympique de Marseille x Qarabag: o OM jogará em Baku, capital do Azerbaijão, onde o Qarabag manda os jogos. Mas desde o ano passado sua cidade de origem, Agdam, fantasma desde meados dos anos 1990 com a guerra de Nagorno-Karabakh, tem sido reconstruída e reabitada pelos azeris.

Fenerbahçe x Slavia Praga: o time de basquete do Fener é fortíssimo e a torcida fanática pela modalidade. Os jogos em Istambul possuem atmosfera incrível! Um dos ídolos do time atual é o pivô tcheco Jan Vesely, de 31 anos, ex-Wizards e Nuggets na NBA, desde 2014 na Turquia.

Leicester x Randers: a fusão de seis clubes em 2003 deu origem ao Randers. O maior era o Randers Freja, que teve Ernst Netuka como técnico. Ele nasceu na Áustria, mas foi para Leicester na II Guerra, onde se tornou salva-vidas e herói local, ao salvar três garotos de afogamento.

Sparta Praga x Partizan: o Governo tcheco reconhece a independência de Kosovo e mantém uma embaixada em Prishtina. Apesar dessa questão geopolítica, sensível para os sérvios, os dois países mantêm bom relacionamento e, em 2020, tiveram negócios de US$ 1,2 bilhão.

PSV x Maccabi Tel Aviv: o maior rival do PSV, o Ajax, possui histórica conexão com o povo judeu desde a década de 1930, quando o estádio do clube era próximo a um bairro judeu de Amsterdã. Bandeiras de Israel e a Estrela de David são símbolos comuns nas arquibancadas.

Midtjylland x PAOK: Brentford e Midtjylland pertencem a Matthew Benham, que instituiu em ambos forte influência analítica em reforços e scout. São cinco brasileiros atualmente na equipe dinamarquesa, que enfrentará o técnico Razvan Lucescu, filho de Mircea Lucescu (ex-Shakhtar).

Celtic x Bodo/Glimt: a cidade de Bodo, sede do Glimt, está no Círculo Polar Ártico, na região norte da Noruega. O que torna o Bodo/Glimt, bicampeão norueguês (2020 e 2021), o campeão nacional mais ao norte do mundo. Ao menos Glasgow não está tão distante, 1595 km em linha reta.

Rapid Viena x Vitesse ou Tottenham: um dos clubes mais tradicionais da Europa Central, o Rapid jamais enfrentou Tottenham ou Vitesse. Na final da Recopa de 1984-85, disputada em Roterdã, na Holanda, foi derrotado pelo Everton, da Inglaterra.

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Nesta quinta-feira, o Celtic recebe o Betis pela última rodada da fase de grupos da Europa League. O Grupo G já está com a situação definida: o Bayer Leverkusen avança para as oitavas de final, os espanhóis aguardam um terceiro colocado da Champions na próxima fase e os escoceses seguem para a Conference League; o Ferencváros, da Hungria, está eliminado. Mesmo assim, a partida no Celtic Park será especial. Não apenas por ser o primeiro confronto entre os dois clubes na Escócia, mas pela conexão especial que os une na história.

Manuel Ramos Asensio foi um dos fundadores do Betis em 12 de setembro de 1907, além de capitão do time e um dos primeiros treinadores. Antes disso, foi enviado bem jovem para a Escócia para estudar inglês na cidade de Dumfries, distante cerca de 100km de Glasgow. Asensio criou o costume de viajar para assistir os jogos do Celtic, clube então já tradicional no país, fundado em 6 de novembro de 1887.

No início, o Betis jogava com camisas predominantemente azuis. Em 1911, o clube precisaba de novos uniformes e Asensio, com os contatos que estabeleceu em Glasgow e o apreço que criou pelo Celtic, conseguiu o envio de tecidos verdes e brancos para Sevilha. Com o material em mãos, optou pela produção das novas camisa do Betis com listras verticais, diferentemente das horizontais dos escoceses, para criar a própria identidade.

Jamais houve grande conexão entre os dois clubes, tanto é que o primeiro jogo na história entre os dois aconteceu justamente nesta Europa League. No Benito Villamarín, o Betis venceu o Celtic de maneira espetacular por 4 a 3, resultado determinante para a classificação antecipada. Porém, em 28 de fevereiro de 2017, em homenagem ao Dia da Andaluzia - região onde fica Sevilha na Espanha - o Betis entrou em campo contra o Málaga com um uniforme especial, celebrando as origens de suas cores e também em alesão à bandeira andaluz, com listras verdes e brancas.

Pelas redes sociais, o Celic parabenizou o Betis e os clubes trocaram mensagens. Desde então o relacionamento se estreitou e nesta temporada é celebrado com os primeiros confrontos entre "green and whites" e "verdiblancos".

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Os 16 pontos que separam o líder de LaLiga, Real Madrid, do sétimo colocado, Barcelona, assustam. Porque nos acostumamos a ver os dois rivais brigando pelo título espanhol e pela soberania do continente, mas também porque a diferença técnica não era tão evidente assim no início da temporada. Na prática, o que se detecta após 16 rodadas é a evolução merengue e o moroso estágio culé.

Xavi substituiu Ronald Koeman para resgatar o barcelonismo, torturado nos últimos meses. O atual elenco do Barcelona pode render mais, há talento para isso, mas o processo será demorado. Com o novo treinador, foram duas vitórias, um empate e a derrota no final de semana para o Betis, por 1 a 0 em pleno Camp Nou. Jogos sem convencimento ou mudanças estruturais maiores em relação ao que vinha sendo feito antes, pouquíssima capacidade ofensiva e partidas sem brilho. Há ideias e desejos com Xavi, com um longo caminho por percorrer.

Enquanto isso, Carlo Ancelotti sabe como tirar o melhor de seu elenco para hoje. No 2 a 0 sobre a Real Sociedad, em San Sebastián, Vinicius Júnior mostrou mais uma vez seu protagonismo, desta vez sem Karim Benzema, que saiu machucado logo no início. Mais ainda: fez do seu substituto, Luka Jovic, o destaque da partida com uma assistência e um gol. Levantamento do jornal Marca mostra que a dupla de zagueiros Éder Militão e David Alaba chegou a 100 dias como parceiros, com 13 vitórias, dois empates e uma derrota - em oito dessas partidas o time não sofreu gol. No lado blaugrana, Gerard Piqué começou no banco, Eric García não convence, Clément Lenglet permanece no time Somente Ronald Araujo tem se salvado.

É bem verdade que o Barça está com uma partida a menos (duríssima, contra o Sevilla fora de casa), mas mesmo se considerarmos três pontos a mais a distância ainda é enorme. Diante do Betis algumas chances foram criadas, mas todas desperdiçadas. O ataque soma 23 gols e condiz com a posição na tabela, apenas o sétimo melhor de LaLiga. Memphis já marcou oito vezes, mas os torcedores lembram mais dos inúmeros gols perdidos. Enquanto isso, Benzema e Vinicius somam 22 gols dos 37 do melhor ataque da competição. Rodrygo e Marco Asensio se alternam na titularidade e Xavi ainda busca as melhores opções ofensivas com Philippe Coutinho, Gavi, Ousmane Dembélé, Abde.

Há uma distância muito grande entre os times atualmente, estão em momentos bem distintos de preparação e evolução. O Real Madrid está pronto para lutar pelo título de LaLiga e assume a condição de principal favorito. Já o Barcelona sua na Champions League e precisará se esforçar muito para garantir um lugar entre os quatro primeiros colocados na Espanha - mesmo com a instabilidade de adversários como Sevilla, Atlético de Madrid e Real Sociedad.

Na história de LaLiga, a maior distância entre os dois gigantes do país aconteceu na temporada 2018-19. O Barcelona foi campeão com 87 pontos, 19 a mais que o Real Madrid, terceiro colocado. Os atuais 16 pontos na tabela assustam, mas são bastante compreensíveis. E podem aumentar o suficiente para se tornarem históricos.

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Alex Gonçalves é um entre 1287 brasileiros espalhados pelo mundo do futebol, segundo dados do CIES Football. As histórias de vitórias, nas grandes ligas internacionais, são aquelas que fazem sucesso e levam milhares de crianças ao sonho de se tornarem jogadores de futebol. O esporte mais popular do planeta, no entanto, pode ser muito traiçoeiro também.

Formado na base do Grêmio e com passagem no time profissional do Internacional, Alex, atualmente com 31 anos, passou por vários clubes ao longo da carreira. Entra na categoria de andarilhos do futebol, tamanha sua experiência. Jamais, porém, imaginou viver a situação que enfrenta na Indonésia atualmente. Há mais de um mês está com o passaporte retido e impedido de deixar o país.

Todo problema começou em 2020, com a pandemia de coronavírus. Contratado pelo Persikabo, clube ligado à polícia local e da primeira divisão, com o início do período de quarentena viu seu salário ser reduzido em 75%, sem qualquer acordo. Deixou a equipe no início deste ano, se transferiu para a Malásia, mas recebeu em julho outra proposta do futebol indonésio, desta vez do Persita.

Antes disso, acionou o Persikabo na FIFA pela falta de pagamentos e ganhou a causa. O visto de trabalho que possuía estava ligado a seu ex-clube, e quando precisou renovar pelo Persita foi informado que seria impossível porque não havia liberação do vínculo anterior. Para piorar, foi denunciado pelo Persikabo na justiça indonésia por difamação, já que tornara o caso público através de suas redes sociais. Está intimado para depor.

"Estou passando por uma situação muito delicada. Longe da minha família, já faz um ano que não vejo meu filho, minha esposa Estou passando por uma situação muito complicada. Não estou podendo jogar, não estou podendo trabalhar. Tudo porque o meu clube atual não consegue dar entrada em um novo visto de trabalho, porque o meu nome ainda está vinculado ao meu ex-clube, que não quer tirar o meu nome do sistema", explica o próprio Alex, em contato com o blog. "À medida que o tempo vai passando, vou me tornando ilegal. Estou desesperado, meu passaporte está retido na imigração. Não sei o que vai acontecer amanhã, estou com medo de sair na rua, até porque meu ex-clube é militar".

Confinado em seu apartamento na cidade de Tangerang Regency, na Ilha de Java, Alex fica indignado pelo real motivo de todo imbróglio que já se tornou diplomático. "Tudo isso está acontecendo porque reportei esse meu ex-clube na FIFA. A causa já foi e ganha e e eles querem barganhar, fazer uma troca. Querem que eu retire a ação para tirarem meu nome do sistema de imigração. Isso não existe, porque eu tenho o direito de estar trabalhando. Meu atual clube não consegue fazer muita coisa porque falam pra mim que é o sistema de imigração Mas não sei o que o que se passa na verdade, porque os documentos nunca são mostrados pra mim, são apenas palavras".

Alex não tem um staff por trás para lhe protegê-lo de situações assim. Possui um amigo no Brasil que o ajuda com o próprio agenciamento da carreira, mas na prática - assim como outras centenas de jogadores brasileiros pelo mundo - depende da boa fé de empresários locais em negociações. O caso na FIFA ficou sob responsabilidade de um advogado português. Com isso, sua situação atual depende muito da atuação da embaixada brasileira na Indonésia.

"Eles me deram apoio, todo suporte, disseram que se eu precisar a embaixada estaria ali para ajudar. Até cogitei pedir um novo passaporte de emergência, expliquei pelo amor de Deus, fazemos todos os trâmites de imigração para ir embora O que passaram para mim foi que, por ter sido denunciado na polícia, essa carta chegou até a imigração, que embargou todos os processos de deportação", explica sem entender a fundo tudo que realmente está acontecendo. A embaixada brasileira, segundo Alex, passou o contato de um advogado indonésio, que conseguiu, na polícia, o adiamento da convocação do brasileiro para a próxima segunda-feira. Ele ouviu também que precisará prestar esclarecimentos aos policiais sobre as publicações em redes sociais. "Não me sinto seguro em ir na polícia. Não estou no meu país, não falo a língua, não sei o que pode acontecer. Tenho receio que eles me levem para uma sala, me prendam, façam algum tipo de chantagem Não sei. É arriscado".

Alex tenta manter a forma física na academia do prédio onde mora, já que está afastado dos treinamentos do Persita. Na Indonésia, tem recebido apoio de outros brasileiros que disputam a Liga 1, nome oficial da primeira divisão. Nesta semana o atacante ganhou apoio e divulgação de seu caso com o ex-jogador Tinga, que publicou em suas redes sociais um vídeo de Alex pedindo ajuda. Nos últimos dias, Dunga, ex-técnico da seleção brasileira, ligou para ele oferecendo ajuda também. A FIFA, através de seu departamento jurídico, tem buscado informações.

Na maior parte da conversa, Alex mantém a calma, fala com serenidade. Pode não entender todos os meandros e talvez até mesmo a complexidade diplomática de seu caso, mas demonstra tranquilidade diante de tantos problemas. Isso muda quando a saudade da família e o inacreditável risco de ser preso vêm à cabeça. "Esse é um problema que eu nunca passei, jamais imaginei passar na minha vida. Sou um pai de família ", lamenta Alex, interrompendo a fala pelas lágrimas provocadas com a emoção. "Se eu tivesse que sair de urgência, agora seria impossível. Não vejo o meu passaporte há dois meses. Enquanto isso, minha esposa e meu filho estão em casa desesperados. Meu filho vai fazer aniversário no próximo dia 16, chama pelo pai todos os dias É difícil explicar essa situação".

Natural de Teixeira de Freitas, na Bahia, Alex se estabeleceu em Porto Alegre desde que foi aprovado para fazer parte da base do Grêmio. De lá partiu para conhecer o Brasil e o mundo através do futebol. Viveu as mais variadas experiências do interior de São Paulo à Romênia, e agora aos 31 anos conhece o aspecto mais tenebroso do esporte mais apaixonante de todos. "O que eu mais queria nesse momento era deixar o país. Suplico para alguém me ajudar. Se eu pudesse, agora mesmo pegava um avião e ia embora para casa, faria isso o mais rápido possível, mas estou de mãos atadas neste momento. Um brasileiro, na Indonésia, denunciado pela polícia por não ter feito nada. Passaporte preso na imigração, clube tentando fazer que eu desista do dinheiro que já ganhei pela lei e pela lei da FIFA. Não sei mais o que fazer".

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Brincamos no jornalismo esportivo que, quando mesmo assunto se repete várias vezes, "estamos sem manchetes". Basicamente é isso o que aconteceu em LaLiga na 15a rodada. O Barcelona, em seu longo e doloroso processo de reconstrução com Xavi, venceu sua partida, mas o bom futebol ainda está distante. Já o Real Madrid, em jogo que valia a liderança contra o Sevilla, ganhou com gols da dupla Karim Benzema e Vinicius Júnior, com destaque para o brasileiro e seu golaço no finalzinho.

Quem fugiu um pouco do padrão desta temporada, mas nem tanto assim, foi o Atlético de Madrid. Fora de casa goleou o Cádiz por 4 a 1 - segundo vitória por margem de três gols da equipe de Diego Simeone nesta temporada do Campeonato Espanhol. Abaixo está o resumo das dez partidas.

Um jogo completamente maluco abriu a rodada de LaLiga na sexta-feira. Athletic e Granada empataram em 2 a 2 em uma partida com muitas chances dos dois lados, que poderia ter terminado com qualquer resultado. No primeiro tempo, após sair atrás no placar, a equipe de Robert Moreno melhorou e virou o placar de maneira merecida, jogando taticamente espelhada ao 4-4-2 de Marcelino García Toral. No segundo tempo, os bascos reagiram, pressionaram bastante, conseguiram o empate e quase viraram em lances que Luis Maximiniano (apesar do gol contra marcado) salvou. No final, com a expulsão de Iñigo Martínez, o Granada ainda teve oportunidade para fazer o terceiro. Enfim, jogo totalmente aberto, que no final das contas rendeu ao Athletic a quinta rodada consecutiva sem vitória.

A vitória tranformou a série de três empates seguidos em quatro rodadas de invencibilidade para o Celta, enquanto o Alavés perdeu pela primeira vez após cinco partidas. Santi Mina fez 1 a 0 para os visitantes e Joselu, com o sétimo gol dele em LaLiga, empatou para os donos da casa. Foi um jogo bem aberto, com 13 finalizações do Alavés e oito do Celta, que teve mais posse de bola com 58%. No segundo tempo, já com o gramado de Mendizorroza branco pela neve que caiu em Vitoria-Gasteiz, Iago Aspas perdeu um pênalti aos 25 minutos, mas marcou no rebote do goleiro Fernando Pacheco.

Um pênalti convertido por Carlos Soler aos nove minutos colocou o Valencia na frente. A partir daí, a sensação de LaLiga buscou o empate com Isi Palazón no segundo tempo e teve mais posse de bola (58%) e mais finalizações (12x8, 6x4 no alvo) no final das contas. O Rayo teve mais uma vez desfalques importantes, como Radamel Falcao García e Randy Nteka, e depois do empate correu muitos riscos. Na prática, Stole Dimitrievski impediu o segundo gol valenciano. Terceiro empate seguido para o Valencia, sexta posição na tabela para a equipe de Vallecas.

Na transmissão da ESPN Argentina, ao final do primeiro tempo, a equipe de transmissão citou Jean-Paul Sartre, “o ser e o nada”, para explicar o primeiro tempo nulo ofensivamente de Mallorca e Getafe. Somente os donos da casa tiveram finalizações certas na partida, apenas duas, apesar de um gol incrivelmente perdido por Mathias Olivera para o Getafe. Partida mais fraca tecnicamente da rodada de LaLiga.

Os resultados estão aparecendo, mas o bom futebol ainda está bem distante do Barcelona. Em um jogo marcado por atuação muito ruim da arbitragem, o Barça venceu o Villarreal e manteve 100% de aproveitamento em LaLiga sob o comando de Xavi. Com pouco mais de um minuto, Dani Parejo deveria ter sido expulso por entrada violenta em Sergio Busquets. Além disso, houve um pênalti escandaloso para o Villarreal, cometido por Gerard Piqué que bloqueou uma finalização com o braço, não marcado por César Soto Grado. Fora tudo isso, a boa notícia para o Barça - que manteve a variação tática de três zagueiros quando atacava e 4-1-4-1 sem a bola - foi Philippe Coutinho, que entrou aos 35'/2T, jogou bem, sofreu um pênalti e converteu a cobrança. O Submarino Amarelo tem somente três vitórias após 14 rodadas.

O primeiro hat-trick de Juanmi garantiu a vitória ao Betis, de virada, contra o Levante, e é um prêmio pela ótima temporada do atacante de 28 anos, que chegou a oito gols. Muito superior do início ao fim, a equipe de Sevilha só conseguiu marcar no segundo tempo, mas os números do jogo ajudam a entender o domínio: 60% de posse de bola e 26 a oito em finalizações. Nos dois primeiros gols de Juanmi, duas assistências de Willian José. O Beti, comandado por Manuel Pellegrini, está bem consolidado na briga por vagas em competições continentais.

Terrível sequência da Real Sociedad, com uma única vitória nos últimos seis jogos em todas competições. Isso fez com que o time se complicasse na Europa League, onde precisará vencer o PSV, em casa, para avançar, e a distanciou da liderança de LaLiga - são 29 pontos em 15 jogos, quatro pontos a menos que o Real Madrid e uma partida a mais. O Espanyol, que venceu com gol do venezuelano Yángel Herrera aos 32 minutos do segundo tempo, continua com a boa campanha neste retorno à primeira divisão.

A goleada foi toda construída no segundo tempo. Na primeira etapa, duas boas chances para o Atlético, mas um jogo bastante travado pelo Cádiz. O primeiro gol só saiu aos 11 minutos da segunda etapa, com Thomas Lemar, fundamental na criação do meio-campo colchonero - neste lance, aparecendo na grande área para finalizar de cabeça cruzamento de yannick Carrasco. A partir daí o jogo ficou mais aberto e o Atleti marcou mais dois gols, até sofrer o primeiro com Antony Lozano em mais uma falha de Jan Oblak na temporada. Matheus Cunha entrou bem na partida, aos 28'/2T, com um gol e uma assistência.

Primeiro tempo de alto nível técnico, com muitas chances de gols dos dois lados. Rafa Mir abriu o placar, quase fez 2 a 0 e Lucas Ocampos mandou um lindo chute no travessão. Os merengues reagiram e, contra a marcação baixa do Sevilla, tinham Éder Militão e David Alaba com muito espaço para construírem; em uma finalização do brasileiro, Bono rebateu mal e Karim Benzema marcou. Na segunda etapa, o Real Madrid assumiu mais o protagonismo e no final pressionou muito em busca da vitória, que veio com um golaço de Vinicius Júnior, que agora soma nove gols na temporada de LaLiga, dois a menos que seu parceiro de ataque. Julen Lopetegui completou 100 jogos em LaLiga como treinador, com 55 vitórias, 24 empates e 21 derrotas - jamais venceu Real Madrid e Barcelona.

Dois gols nos primeiros 20 minutos decretaram o empate entre Osasuna e Elche, em Pamplona. Antre Budimir fez de pênalti logo aos sete minutos para os bascos, enquanto Fidel empatou para os visitantes aos 19. O Osasuna não sabe o que é vitória há seis rodadas, enquanto o Elche não soma três pontos há sete.

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Em 26 de dezembro de 1999, em pleno Boxing Day inglês, o Chelsea chamou a atenção de todos no país. Pela primeira vez na Inglaterra, um time era escalado sem qualquer jogador nacional, composto exclusivamente de 11 estrangeiros entre os titulares. Na época, o diretor do clube, Colin Hutchinson, afirmou que o Chelsea era um "clube continental jogando futebol na Europa". Os Blues venceram o Southampton naquele dia por 2 a 1, com dois gol do atacante norueguês Tore Andre Flo. De lá para cá, escalações com 100% de atletas estrangeiros se tornaram comuns pelo continente.

A própria terminologia mudou. Com a Lei Bosman em vigor desde dezembro de 1995 e o crescimento da União Europeia, apesar do Brexit, as fronteiras caíram também no futebol. Com isso, diversos jovens trocam de clube e país ainda na base, tendo toda, ou parte, da formação como jogador de futebol fora de seu país natal. Na prática, portanto, são estrangeiros, mas não entram na categoria de expatriados no futebol. Essa diferenciação é importante para entender os dados divulgados pelo CIES Football Observatory, centro de estudos do futebol localizado na Suíça. De acordo com o levantamento demográfico da entidade, pela primeira vez na história há mais expatriados nas cinco grandes ligas europeias do que jogadores formados nos clubes locais.

Premier League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1 possuem 50,1% de expatriados nos elencos. O estudo analisou 31 ligas de primeira divisão na Europa, contabilizando 12 141 jogadores de 473 clubes. Para serem incluídos no levantamento, os atletas precisavam constar na relação principal de suas equipes em 1o de outubro deste ano e terem jogado ao menos uma partida nesta temporada ou em cada uma das duas últimas. Goleiros reservas são as exceções a esta regra e também entraram na contagem. A média obtida em todo continente é menor (41,9%), mas retoma o índice de 2019 pré-pandemia, após pequena queda no ano passado (41,2%). Quando o CIES Football iniciou esse levantamento demográfico em 2009, a média nestas 31 ligas nacionais era de 34,8% de expatriados.

Há o efeito econômico e a correlação com a formação de novos jogadores. Campeonatos onde os clubes têm maior poder de investimento buscam mais talento estrangeiro e acabam dando menos espaço para atletas da base. Nas cincos grandes ligas europeias, por exemplo, apenas 14,2% dos elencos, na média, são de jogadores formados no próprio clube - para entrar nesta categoria, o atleta precisa ter passado ao menos três temporadas entre 15 e 21 anos no clube atual; a média do continente ficou em 18%. Nas dez ligas analisadas com pior ranking na UEFA, o índice sobe para 22,4% e os expatriados caem para 33%.

Outra consequência direta é a manutenção a longo prazo de jogadores no elenco. Ingleses, espanhóis, alemães, italianos e franceses trocam, em média, 31,6% de seus atletas a cada temporada, sem contar a promoção dos jovens da base. Na parte de baixo do ranking, a movimentação de mercado sobe para 42,5% - Ekstraklasa (Polônia), Allsvenskan (Suécia), Premier League (Belarus), Super Liga (Sérvia), Eliteserien (Noruega), A PFG (Bulgária), Super Liga (Eslováquia), 1 SNL (Eslovênia), NB I (Hungria) e Veikkausliiga (Finlândia). A pandemia provocou, na temporada passada, redução do índice no geral em toda Europa, caindo de 43,2% em 2019 para 40,9% em 2020 e 40,4% neste ano.

Há extremos em todas pesquisas deste tipo. O clube, por exemplo, com a maior porcentagem de expatriados no elenco fica na Grécia, onde a média na liga nacional é de 60,2%. Não há na Europa equipe com mais jogadores formados fora do próprio clube do que o Aris, com 88,5%. Três brasileiros fazem parte do elenco da equipe de Tessalônica: o goleiro Denis, ex-São Paulo e Ponte Preta, o zagueiro Fabiano, ex-Chapecoense, Cruzeiro e Palmeiras, e o volante Lucas Sasha, que surgiu como promessa na base do Corinthians. O clube é uma Torre de Babel, com atletas oriundos de quase todos os continentes do planeta, com exceção da Oceania.

"Falamos em inglês. Inevitavelmente alguns grupos se formam, principalmente o pessoal que vem da África e que fala francês. Depois tem muitos argentinos e espanhóis, que ficam falando espanhol. Somos em três brasileiros e falamos o nosso português, mas quando todo mundo quer se juntar e tem algo para falar, tem que ser em inglês. Bom para nós, que acabamos aprendendo um pouco de cada língua. Sou um cara muito curioso, gosto de aprender outras culturas, pergunto bastante", conta Lucas Sasha, jogador do Aris desde 2019. Antes, o meio-campista passou por CSKA Sofia e Ludogorets, na Bulgária, e pelo Hapoel Tel Aviv, em Israel.

Esse meio multi-cultural de um vestiário como do Aris promove muitas trocas entre os atletas, mas também acaba gerando algumas barreiras. "Realmente há muita diferença cultural, são culturas completamente diferentes, religiões diferentes, costumes diferentes. O mais importante é saber respeitar o limite do próximo. Digo isso para mim mesmo, porque sou um cara muito brincalhão e sei que muitas vezes uma brincadeira que eu faça com uma pessoa, não pode ser feita com outra. Aprendi isso na marra, brincando e a pessoa falando 'assim não'. É necessário respeitar o limite de cada um, saber até onde pode ir. Não apenas com brincadeiras, mas no dia a dia com os mais variados assuntos. Como no mundo todo, não é mesmo? Saber respeitar o espaço de cada um", completa Lucas.

Representantes das cinco grandes ligas estão muito próximos do Aris também. A Udinese perdeu a primeira posição apenas por 0,5%, enquanto o Atlético de Madrid ficou com 82,6% de média, bem acima do padrão de LaLiga (38,1%). Mais casos notórios são de Paris Saint-Germain (75%), Lille (76%) e Sevilla (64,3%). Por outro lado, somente três dos 473 times pesquisados não possuem qualquer jogador expatriado em seus elencos atuais: Paksi, da Hungria, Desna, da Ucrânia, e o mais óbvio de todos, pela política de utilização apenas de jogadores de origem basca, Athletic Bilbao. Em termos de ligas nacionais, a Sérvia é quem menos dá espaço para expatriados, somente 16,2% de todos atletas nos 16 clubes da primeira divisão.

Quando o assunto é utilização da base, nenhum clube supera o Zilina, quarto colocado no último Campeonato Eslovaco. Atualmente, 79,2% do elenco é formado por atletas formados em suas categorias menores, valor 56% acima do que se constata na Eslováquia, que mesmo assim apresenta a menor média de idade nas equipes, apenas 24,53. Nas cinco grandes ligas, também sem surpresas, o líder é o Athletic Bilbao com índice de 56%; entre todos os campeonatos analisados, a maior média ficou com a Noruega (29,2%) e a menor com a Turquia (8,5%). Há também 39 clubes que não possuem jogadores da própria base, e o que mais chamou atenção neste quesito foi a presença de três representantes de LaLiga: Getafe, Granda e Elche. O último caso tem gerado bastante polêmica na Espanha; o Elche pertence ao empresário argentino Christian Bragarnik, que tem investido muito em jogadores de seu próprio país e contrantando, inclusive, sócios de seu negócio - caso de Darío Benedetto.

Desde a temporada 2014-15, quando Toni Kroos trocou o Bayern pelo Real Madrid, o meio-campo merengue tem sido formado pelo alemão ao lado de Casemiro e Luka Modric. Além dos três, outros atletas importantes permanecem no elenco madridista há muito tempo, como Marcelo desde 2007 e Karim Benzema desde 2009. Tudo isso colabora sensivelmente para que a média de permanência no atual elenco do Real seja 4,21 anos por jogador. O valor é bem superior ao que se tem em LaLiga (1,66). Ainda na Espanha, mais especificamente no país Basco, o Athletic aparece novamente no levantamento do CIES Football com índice de 4,56 anos por atleta. Alguns exemplos opostos também podem ser obtidos território espanhol; o Sevilla, com sua política de muitas contratações e vendas, obteve média de 2,11, enquanto o Elche, já citado acima, ficou com 1,84.

Exemplos de estabilidade na Itália e na Alemanha são Sassuolo (4 anos) e Borussia Mönchengladbach (4,54 anos), enquanto em todo continente nenhum clube supera o CSKA Moscou e sua média de 4,83 anos por jogador no elenco atual. Mário Fernandes, brasileiro naturalizado russo, por exemplo, está no clube moscovita desde 2012, quando foi negociado pelo Grêmio por 15 milhões de euros. Sem falar, é claro, no goleiro Igor Akinfeev, de 35 anos, formado no próprio CSKA, desde 2002 na equipe profissional e recordista histórico de partidas. O extremo oposto ao CSKA Moscou também está no Leste Europeu, com o glorioso Dinamo Brest, de Belarus, que mantém seus jogadores no elenco em média por apenas um ano.

Há situações distintas também e de fácil explicação. Quando analisados os índices na comparação com a média do respectivo campeonato, três clubes da Premier League aparecem no top 10: Brentford, Norwich e Watford. São justamente os três que conquistaram o acesso para a Premier League nesta temporada e, com isso, fizeram mais investimentos em reforços. Isso fez com que a média de permanência no clube dentro do atual elenco caísse bastante. Já que o assunto é a Premier League, há ainda o caso do Burnley que possui a maior média de idade dos jogadores do atual elenco entre todos 473 clubes analisados, com 29,91 anos.

No final das contas, mais uma vez o futebol reflete a sociedade. Esse alto fluxo migratório entre jogadores também acontece nos mais variados setores e níveis sociais, por motivos diversos e nem sempre valoráveis. Em 2016 a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Pacote Global para Migração. Naquele ano, através da Declaração de Nova Iorque, como ficou conhecido o documento, os objetivos do acordo internacional foram divulgados: tratar todos os aspectos da migração internacional, incluindo as questões de tipo humanitário, de desenvolvimento e de direitos humanos, contribuir para a governança mundial e fortalecer a cooperação sobre o tema, criar un marco legal para uma cooperação internacional integral que beneficie aos migrantes à mobilidade humana e seguir o plano marcado pela Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e o Plano de Ação de Adis Abeba da Terceira Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento.

Na prática, porém, como temos visto nos últimos anos, a situação migratória na Europa tem provocado desastres humanitários. O futebol também tem suas histórias ruins envolvendo migração. Como quase sempre acontece no esporte mais praticado do mundo, os olhares globais se voltam para as transferências milionárias e os grandes clubes. No entanto, bem além das centenas de milhões de euros que circulam nas mãos de empresários, dentro de todos os números levantados pelo CIES Football há rostos e relatos de muita dificuldade também.

Vicente de Paula, lateral brasileiro de 25 anos, defende atualmente o VPK-Ahro Shevchenkivka, na segunda divisão ucraniana. Em entrevista neste ano ao podcast Futebol no Mundo, ele lembrou das dificuldades que enfrentou em suas primeiras experiências europeias, quando passou pelo Bylis Ballsh, do futebol albanês em 2020. "Antes de ir para a Albânia me alertaram sobre alguns riscos, mas quando você tem um sonho, acaba ficando cego. Quer apenas jogar, não quer saber mais de nada. Quando cheguei lá foi horrível. Fui contratado através de outro agente, que me prometeu muitas coisas. Ele e o presidente. Assim que eu pisei na Albânia foi tudo diferente, começando pelo contrato. Prometeram apartamento, salários em dia e nada disso aconteceu. Foi muito constrangedor pra mim. O presidente mentiu em tudo".

O que aconteceu com Vicente acontece com vários outros atletas pelo mundo. "Quando cheguei no clube, o alojamento era horrível, e o combinado era que eu ficasse lá por três dias até alugarem meu apartamento. Não havia aquecedor no alojamento e lá faz muito frio. Conversei com um colega do time, argentino, que me levou para morar com ele. Fiquei um mês na casa dele, que me ajudou muito, inclusive com dinheiro. Até hoje não me pagaram os salários", completa. Porém, o pior ainda estava por vir, quando recebeu a notícia de que não havia mais esperança na cura de sua mãe. "Os médicos avisaram que minha mãe tinha mais uma semana de vida, por causa do câncer. Conversei com o presidente para voltar ao Brasil e poder ver minha mãe, o último adeus. O presidente foi muito ignorante, disse que eu não poderia voltar ao Brasil porque não retornaria depois à Albânia". Pouco depois disso, durante a pandemia e através de uma agência de jogadores no Brasil, que acionou a embaixada brasileira, ele conseguiu deixar a Europa.

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Antes da sequência de três partidas sem vitória no final de setembro e início de outubro - empate em 0 a 0 com o Villarreal e derrotas para Sheriff Tiraspol e Espanyol - o Real Madrid dava mostras de principal favorito ao título de LaLiga. Os resultados ruins devolveram o time "apenas" à condição de um dos favoritos, em mais uma temporada extremamente equilibrada do Campeonato Espanhol. De lá para cá são seis vitórias e um empate em todas competições, novamente com alto nível de jogo e excelentes desempenhos individuais.

Neste final de semana os merengues golearam o Granada por 4 a 1 e assumiram a liderança de LaLiga com 30 pontos em 13 partidas, graças ao empate entre Real Sociedad e Valencia. Na rodada de estreia de Xavi, o destaque mais uma vez foi o atacante brasileiro Vinicius Júnior, que assumiu a vice-artilharia do campeonato. Além disso, Toni Kroos deu duas assistências, Luka Modric mostrou todo seu talento novamente e Casemiro permanece extremamente regular no meio-campo do Real Madrid.

A chuva deixou o gramado do Ciutat de València quase impraticável no final do jogo. Choveu muito em Valência, o que prejudicou bastante a partida. Mesmo assim, o próprio Marcelino García Toral admitiu a falta de força ofensiva de sua equipe. Apesar de possuir a melhor defesa de LaLiga com apenas oito gols sofridos, o ataque é o pior entre os 13 primeiros colocados com 11 gols marcados, média inferior a um por jogo. O Levante segue sua sofrível jornada na temporada, que nada mudou com a chegada do técnico Javier Pereira: é o único time que ainda não venceu em LaLiga e ele se tornou o pior técnico estreante pelo clube (duas derrotas e três empates).

Resultado ruim para as duas equipes, já que o Celta permanece próximo à zona de rebaixamento e o Villarreal não consegue alcançar a parte de cima da tabela. De qualquer modo, partida bem disputada, com dois times que gostam da posse de bola e jogam ofensivamente; os números ajudam a mostrar isso: 57% de posse para o Celta e 30 finalizações no total, com 18 para o Villarreal. O primeiro gol saiu em falha de Matías Dituro, que soltou a bola nos pés de Dani Parejo, que apenas rolou para Alberto Moreno marcar na pequena área. O empate também surge de um vacilo de goleiro, desta vez Gerónimo Rulli, que rebateu chute de Fran Beltrán (o 1 do 4-1-3-2 do Celta) para o meio da área e Brais Méndez aproveitou.

Assim como em Valência no dia anterior, muita chuva em Sevilha; o que prejudicou bastante o jogo dos donos da casa. Com 68% de posse de bola, o Sevilla saiu atrás no placar, com o gol marcado por Víctor Laguardia aos cinco minutos, mas buscou o empate com Lucas Ocampos. Porém, em um polêmico pênalti marcado pelo árbitro Alejandro Muñiz no final do primeiro tempo - a bola bate no braço de Ocampos, que estava na barreira em cobrança de falta -, Joselu fez o segundo do Alavés. Com o gramado bastante encharcado, o Sevilla teve muitas dificuldades para criar ofensivamente no segundo tempo, mas mesmo assim conseguiu o empate aos 47 minutos com Ivan Rakitic. Os comandados de Julen Lopetegui seguem com fortíssima campanha: oito vitórias, quatro empates e somente uma derrota.

Com alguns dos sul-americanos que jogaram a Data FIFA no banco, Diego Simeone mudou o Atlético. Variou taticamente na linha de defesa, alternando entre cinco e quatro jogadores: Mario Hermoso foi lateral em muitos momentos, deixando Yannick Carrasco à frente na segunda linha de marcação. Thomas Lemar ganhou liberdade para avançar no meio-campo, se posicionando na altura do campo ao lado de Ángel Correa. Antoine Griezmann foi o atacante central. Bom jogo do Atleti, mas novamente com enorme dificuldade em tranformar as chances criadas em gol. Tanto é que venceu novamente no sufoco, graças à cabeçada de Felipe aos 42 minutos do segundo tempo após cobrança de escanteio. De qualquer modo, três pontos importantíssimos após o empate sofrido para o Valencia na rodada passada.

A confiança voltou às arquibancadas do Camp Nou. Na estreia de Xavi como treinador do Barcelona, mais de 70 mil torcedores apoiaram a equipe no dérbi com o Espanyol. Precisarão de paciência, de qualquer modo, porque o time ainda apresentou velhos problemas, mesmo vencendo por 1 a 0. Xavi lançou o garoto Ilias Akhomach aberto na direita em seu 4-3-3 e no intervalo o substituiu pelo marroquino Abdessamad Ezzalzouli; o primeiro de 17 anos e o segundo de apenas 19. Dois exemplos do que está por vir no Barça, com aproveitamento dos garotos e recuperação da ideia de jogo culé. Em campo, o Espanyol poderia tranquilamente ter empatado. Raúl de Tomás desperdiçou oportunidades que, nesta temporada, não vem perdendo. O único gol saiu de pênalti, polêmico, convertido por Memphis aos três minutos do segundo tempo.

Demorou para vencer, mas agora o Getafe soma duas vitórias nas três últimas rodadas de LaLiga. Não marcava quatro gols em um jogo desde 1o de dezembro de 2019, quando goleou o Levante no Campeonato Espanhol por 4 a 0. Coincidentemente, com o 4 a 0 deste domingo sobre o Cádiz, deixou a lanterna da competição para o Levante. Apesar da posse de bola pouco menor (47%), o Getafe criou bem mais no ataque, com 17x10 em finalizações e 8x2 no alvo - os três primeiros gols foram todos em cabeçadas. Aos poucos o bom técnico Quique Sánchez Flores vai melhorando a equipe da grande Madri, que sentiu muito a saída de José Bordalás.

Vitória tranquila de um Real Madrid muito confiante. Toni Kroos foi deciviso no primeiro tempo com duas assistências e Vinicius Júnior mais uma vez brilhou no ataque - desta vez com um gol, muitos dribles e uma expulsão conquistada (Monchu). O alemão e o brasileiro foram os protagonistas em uma tarde de boa atuação coletiva. No primeiro gol, Vinicius recupera a bola no meio-campo e Kroos dá a assistência para Marco Asensio. O Granada, de Robert Moreno, após levar dois gols em 25 minutos, subiu as linhas do 4-4-2 e deu campo para os merengues jogarem. Descontou com Luis Suárez, após Vinicius perder a bola no meio, mas não aguentou a força adversária na segunda etapa. LaLiga tem velho novo líder.

Quinto colocado de LaLiga, o Betis confirmou o favoritismo e venceu bem o Elche, que permanece na zona de rebaixamento. O resultado derrubou o técnico Fran Escribá, demitido pelo clube da província de Alicante. Além do mais, os comandados de Manuel Pellegrini se recuperam de duas derrotas seguidas bem pesadas (0x3 Atlético e 0x2 no dérbi com o Sevilla). E olha que o Betis não teve total controle do jogo, com 42% de posse de bola e menos finalizações no total (nove contra 14); o que fez a diferença foi o incrível aproveitamento nas chances criadas, com três gols marcados em quatro arremates certos nos primeiros 30 minutos. Quando perdeu Héctor Bellerín, expulso aos 22 minutos do segundo tempo, a vitória já estava encaminhada e aí o Elche foi com tudo para o ataque.

Partida com pouquíssimas chances claras de gol. Na prática, apenas a Real Sociedad realmente criou para abrir o placar ainda no primeiro tempo. O Valencia apresentou muito pouco ofensivamente, e mesmo quando esteve com um jogador a mais em campo (desde 31'/2T com a expulsão de Aritz Elustondo) permaneceu com enorme dificuldade em ameaçar o gol de Álex Remiro - que não fez qualquer defesa difícil no jogo, diferentemente de Jasper Cillessen que teve que trabalhar bem mais. No final das contas, partida decepcionante pela expectativa que havia antes do confronto entre Imanol Alguacil e José Bordalás.

Na falta do protagonista Radamel Falcao García, que ficou no banco ainda sem as melhores condições físicas, Óscar Trejo assumiu o protagonismo do Rayo Vallecano. Um gol, uma assistência (sete agora, lidera LaLiga ao lado de Benzema) e lindas jogadas do meia argentino na vitória por 3 a 1 sobre o Mallorca. Campanha incrível do Rayo como mandante: cinco vitórias e um empate jogando em Vallecas. Andoni Iraola tem o time nas mãos, bem organizado com e sem a bola na variação do 4-2-3-1 para o 4-4-2. Já o Mallorca, soma agora seis rodadas sem vitória - time sente muito a falta de Takefusa Kubo.

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Aos 29 anos, Casemiro vive o apogeu da carreira. Experiente, titular indiscutível do Real Madrid e da seleção brasileira, o meio-campista se prepara para os próximos compromissos do Brasil pelas eliminatórias. No último sábado (6), esteve em campo na vitória merengue sobre o Rayo Vallecano por 2 a 1, resultado que manteve o Real na segunda posição de LaLiga. Jogo marcante para o jogador, que alcançou a marca de 200 na competição.

Antes da viagem para se unir aos comandados de Tite, Casemiro respondeu as perguntas da ESPN sobre seu atual momento na carreira e também de alguns dos seus companheiros em Madri. Como por exemplo Vinicius Júnior, de temporada incrível, e Karim Benzema, acumulando recordes e mais recordes pelo clube espanhol. Na carreira como madridista são 301 partidas no geral, com 204 vitórias e 30 gols, incluindo alguns bem decisivos - como na final da Champions League de 2016-2017 contra a Juventus.

Os jogos do Real Madrid, de Casemiro, por LaLiga, você assiste AO VIVO pela ESPN no Star+. O time volta a campo pela disputa nacional no domingo 21 de novembro, contra o Granada, às 12h15 (horário de Brasília), fora de casa em compromisso pela 14ª rodada.

Casemiro é o terceiro brasileiro com mais jogos pelo Real Madrid (301), atrás apenas de Marcelo (532) e Roberto Carlos (527). Ao lado do atual lateral-esquerdo, compartilha a condição de jogador nascido no Brasil com mais títulos de Champions (quatro). Isso sem falar nos três Mundiais, duas LaLigas, duas supercopas europeias.

São 200 jogos em LaLiga, dois títulos conquistados e momentos memoráveis. Qual foi a partida mais marcante para você? Quando eu cheguei ao Real Madrid Castilla eu sonhava jogar pelo time principal, mas nunca imaginava que poderia construir uma trajetória tão importante dentro do clube. Por conta disso eu valorizo cada jogo com essa camisa e fica muito difícil escolher um único jogo. Todos os jogos pelo Real Madrid são importantes e encaro cada um como se fosse o meu primeiro.

Você tem dimensão do seu tamanho na história do Real Madrid? Afinal, além dos títulos conquistados e dos números acumulados, você forma com Toni Kroos e Luka Modric um trio de meio-campistas inesquecível para o madridismo. Procuro não pensar nisso. É um privilégio jogar tantos anos no maior clube do mundo e acho que só terei a dimensão do que consegui construir quando tudo isso acabar um dia. Sobre jogar ao lado do Luka Modric e do Toni Kroos é um privilégio. Vou levar para a minha vida inteira o fato de ter atuado tanto tempo ao lado deles e vou contar para os meus netos que pude jogar com dois jogadores excepcionais, dois ícones do futebol.

O Real Madrid tem jovens jogadores em destaque, mas acima de tudo uma base muito experiente, da qual você faz parte e que já joga junto há muito tempo. O que mudou no time com a saída de Zinédine Zidane e o retorno de Carlo Ancelotti? Cada treinador tem seu método de trabalho e felizmente estamos tendo uma ótima adaptação ao método do Carlo Ancelloti, assim como tivemos por muito tempo com o Zidane. Mas quero destacar um ponto em especial que encanta muito em relação ao Ancelotti. É um senhor de 62 anos, com mais de 40 anos no futebol e que já conquistou tudo, mas é incrível a determinação de vencer e de nos ensinar com toda a sua experiência a cada dia.

Vinicius Júnior é hoje o jogador brasileiro em melhor fase na Europa? O que posso dizer é que o Vinicius vive seu melhor momento, uma fase especial e além disso é jovem, tem um potencial de crescimento muito grande.

As saídas de um símbolo do clube, como Sergio Ramos, e de Raphaël Varane, campeão mundial com a França, têm sido minimizadas pelo nível de atuação de Éder Militão e a chegada de David Alaba. Você também é parte fundamental na estrutura defensiva da equipe. O que mais contribui para o entrosamento da nova defesa merengue? Sergio Ramos e Varane são dois ícones da história do Real Madrid, mas acredito que o Militão e o Alaba estão muito bem e se entrosaram rapidamente pela qualidade que possuem. O Militão já vinha tendo um papel importante na temporada passada e o Alaba é um jogador excepcional, com uma carreira fantástica.

Há muitas temporadas se discute quem é o melhor volante, ou meio-campista defensivo, do futebol mundial. A discussão sempre fica entre você e N'Golo Kanté. Quem é o melhor jogador da posição? Prefiro que você responda essa (risos), mas gosto de lembrar que o Kanté, apesar de ser um jogador extraordinário, vem jogando no Chelsea em uma outra posição, com mais liberdade para chegar ao ataque, e o primeiro volante é o Jorginho. Vale lembrar também que há outros jogadores de altíssimo nível nessa função, como o Busquets e o Fabinho. Mas só pelo fato de ser citado como um dos melhores já fico feliz e sigo trabalhando para evoluir cada vez mais.

É comum ouvir que a posição de goleiro foi a que mais evoluiu no futebol. A sua posição, no entanto, também passou por enorme transformação nas últimas décadas. Nos grandes clubes da Europa, já não há espaço para o "volante brucutu", que apenas desarma. Toda construção de jogo do Real Madrid, por exemplo, começa na saída em três contigo e os dois zagueiros. Você considera que, assim como sua posição, evoluiu no entendimento do jogo? Acho importante lembrar que no passado tivemos jogadores como Mauro Silva, César Sampaio, Dunga, Makélélé, Gilberto Silva, entre outros, que eram primeiros volantes e tinham muita qualidade para jogar. Ou seja, não estamos inventando nada, talvez só resgatando um pouco dessas características e valorizando novamente essa posição. Sobre o entendimento do jogo é um ponto que procuro evoluir cada vez mais e a experiência é importante para isso. É claro que jogando em um clube como o Real Madrid, ao lado de grandes jogadores, fica mais fácil de melhorar em todos os aspectos.

Sobre seleção brasileira, apesar da derrota na final da Copa América para a Argentina, o domínio do Brasil nas eliminatórias tem sido incrível. Na prática, sob o comando de Tite os números da equipe são impecáveis. A seleção brasileira está, atualmente, no grupo das seleções mais fortes do mundo ou precisa melhorar nos próximos meses para alcançar, por exemplo, a França até a Copa de 2022? Acredito que estamos no caminho certo e acho que os números mostram isso. É claro que as pessoas esperam sempre jogos bonitos da Seleção, como foi o último, por exemplo, e esse também é o nosso objetivo, mas não é possível fazer isso sempre. Mas acredito que temos um trabalho consistente e que pode evoluir ainda mais nesse ano que falta até a Copa. Sabemos que temos que chegar à Copa do Mundo para fazer sete jogos perfeitos.

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Essa é a pergunta de um milhão de euros, ou melhor, cerca de 160 milhões de euros já que o assunto é LaLiga Neste domingo, a Real Sociedad venceu o Osasuna por 2 a 0 e se manteve na liderança do Campeonato Espanhol, agora com 28 pontos em 13 rodadas. Após a derrota na estreia para o Barcelona, a equipe basca não perdeu mais em LaLiga.

Na temporada passada, a Real Sociedad também liderou no início da competição. No entanto, lesões de alguns dos seus principais jogadores derrubaram rapidamente o time da primeira posição. O quinto lugar na classificação final ficou de bom tamanho pelo desempenho, principalmente nos confrontos diretos com Sevilla, Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid. Agora a história parece ser diferente.

David Silva, Alexander Isak, Ander Barrenetxea, entre outros já se machucaram, perderam jogos, mas a Real Sociedad não perdeu rendimento. Imanol Alguacil conseguiu, até aqui, mesmo com os desfalques, manter sua equipe com a mesma intensidade ofensiva e a característica regularidade defensiva - o ataque é o quarto melhor de LaLiga e a defesa a terceira menos vazada com dez. Além disso, apresenta variação tática, deixando em vários momentos o 4-3-3 de lado para usar dois centroavantes, com a entrada de Alexander Sorloth. Apesar da derrota para o Barça, empatou com Atlético e Sevilla; enfrentará o Real Madrid em 4 de dezembro, em San Sebastián. Esse será um confronto decisivo para demonstrar as reais pretensões bascas.

O Real Madrid, que tem uma partida a menos e está com 27 pontos, evolui a cada jogo, mesmo sem brilhar. Vinicius Júnior e Karim Benzema somam 17 gols, menos apenas que Robert Lewandowski e Serge Gnabry (19) nas cinco grandes ligas europeias. Passa a impressão de equipe mais regular, em uma temporada totalmente aberta na Espanha. Com a irregularidade do Atlético, que no papel é o time mais forte, a disputa fica mais equilibrada também considerando o Sevilla, que é outro time que está com uma partida a menos e 27 pontos.

No entanto, se deixarmos de lado a briga pelo título e pensarmos em classificação para a próxima Champions, a vantagem da Real é olhar o Barcelona bem distante neste momento. Situação que, naturalmente, pode mudar com a chegada de Xavi, mas fora os culés, é improvável que Betis, Rayo Vallecano, Athletic ou Osasuna entrem nessa disputa. Vale lembrar também, que a Real Sociedad está na Europa League e briga pela classificação para a próxima fase com PSV e Monaco.

O Athletic voltou a decepcionar. Após boa sequência de resultados e um empate emocionante com a Real Sociedad na última rodada, a equipe do técnico Marcelino García Toral, mesmo com 70% de posse de bola, fez outro jogo ruim em LaLiga e perdeu para o Cádiz por 1 a 0. Esta foi apenas a segunda vitória do time comandado por Álvaro Cervera, conquistada graças ao gol solitário marcado por Salvi logo aos seis minutos.

Na rodada passada, o Espanyol garantiu ao Getafe sua primeira vitória na temporada; nesta, não vacilou e confirmou o favoritismo contra o Granada. Para variar, Raúl de Tomás marcou mais um gol (sétimo dele) e foi decisivo no 2 a 0, contra um adversário que também criou boas oportunidades. No final das contas, o Granada terminou a partida com maior posse de bola (57%) e mais finalizações (18 x 17).

Xavi terá muito trabalho pela frente. No segundo e último jogo de Sergi Barjuán como técnico interino, o Barcelona abriu 3 a 0 e levou o empate do Celta no segundo tempo, com o gol decisivo marcado por Iago Aspas aos 51 minutos. A equipe de Vigo pressionou muito na segunda etapa e foi bem superior, tendo inclusive maior posse de bola que os catalães (52%). Para piorar para o Barça, Ansu Fati sofreu uma lesão muscular e deve ficar fora por algumas semanas.

Está mais do que confirmada a reação do Alavés. São três vitórias e um empate nas quatro últimas rodadas, sequência que colocou o time na 14a posição. Joselu é o maior responsável com os dois gois diante do Levante e cinco dos oito que a equipe de Vitoria-Gasteiz marcou até aqui. Aos poucos o Alavés vai se colocando em uma situação mais condizente com o time que tem. Por outro lado, o Levante permanece como único time que ainda não venceu na temporada de LaLiga.

O dérbi madrilenho entregou o que se esperava: um grande jogo. Venceu o melhor time, que tem mais talento e criou mais oportunidades, mas que não soube "matar" a partida e levou sufoco no final. O trio de ataque madridista funcionou muito bem, com Asensio-Benzema-Vinicius; o brasileiro quase marcou um golaço, arrancando com a bola no meio-campo. O Rayo melhorou na segunda etapa com as substituições de Andoni Iraola e viu Falcao García entrar, marcar e sair machucado depois de 11 minutos.

Eram quatro rodadas em LaLiga sem vitória e uma semana que começou com a possível saída de Unai Emery para o Newcastle. Finaliza com vitórias sobre Young Boys, pela Champions, e Getafe, pelo Campeonato Espanhol, além da certeza de continuidade do treinador. De qualquer modo, o Submarino Amarelo precisa jogar mais; ganhou sem grande atuação contra o Getafe, que na rodada passada vencera pela primeira vez na temporada e pouco criou contra o Villarreal - somente cinco finalizações na partida.

Depois da emoção em Barcelona no sábado, o Valencia foi o responsável pela partida espetacular de domingo. O Atlético fez 1 a 0 com Luis Suárez (14o dele contra os Ches, sua principal vítima na carreira), no primeiro tempo, em bela jogada trabalhada com Antoine Griezmann e Ángel Correa - Atleti no 3-4-3 mais uma vez. Os colchoneros levaram o empate no início da segunda etapa, mas logo na sequência marcaram dois gols (um golaço de Griezmann) e retomaram a vantagem. Já nos acréscimos, Hugo Duro marcou duas vezes e garantiu a igualdade. Foi a primeira vez na história de LaLiga, que o Atlético com Diego Simeone como treinador não ganha um jogo após abrir dois gols de vantagem.

Não era um bom jogo da Real Sociedad, que mais uma vez não conseguiu marcar no primeiro tempo - isso aconteceu em 11 das 13 partidas. O Osasuna, já na etapa final, tinha as melhores chances e chegava com perigo no ataque. Isso até 27 minutos, quando Mikel Merino finalizou de fora da área, a bola desviou e nada pôde fazer Sergio Herrera. A partir daí a equipe basca foi bem superior e ampliou dez minutos depois com Adnan Januzaj, cobrando pênalti que ele mesmo sofreu. Mais uma vitória e manutenção da liderança de LaLiga garantida.

Mais uma partida de LaLiga decididas nos acréscimos. O Elche perdeu a chance de voltar para casa com três pontos, graças ao gol marcado por Pablo Maffeo aos 50 minutos do segundo tempo. Resultado, no final das contas, ruim para as duas equipes, que não vencem há quatro rodadas - pior para o Elche, primeiro na zona de rebaixamento. O atacante argentino Lucas Boyé marcou os dois gols dos visitantes e chegou a quatro na temporada.

Primeiro tempo muito bom, com chances para os dois lados. O Sevilla esteve melhor desde o início, assumindo o controle com maior posse de bola, mas foi ameaçado pelo Betis. Tudo mudou com a expulsão de Guido Rodríguez, que recebeu o segundo cartão amarelo aos 45 minutos. No intervalo Manuel Pellegrini sacou Willian José, colocou William Carvalho, reorganizou o meio-campo, mas levou o 1 a 0 logo aos dez em um golaço de Marcos Acuña. Jogando no 4-2-3-1, com Ivan Rakitic como meia avançado, o Sevilla dominou até o fim e fez o segundo com a ajuda de Héctor Bellerín.

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"Depois de 25 minutos de jogo, fui dormir com raiva. Não aguentava mais". Esse poderia ser o relato de algum torcedor brasileiro apaixonado pela seleção, que sofreu uma de suas maiores decepções naquele fatídico 8 de julho de 2014, data do 7 a 1. No entanto, a frase é de um treinador alemão de futebol. Há explicação para isso.

Aos 38 anos, Andre Visser mora no Brasil desde novembro de 2019. Filho de mãe brasileira, se acostumou a passar férias por aqui até decidir, também pelos negócios da família, fixar residência em terras tupiniquins. Andre foi jogador profissional na Alemanha e em Portugal, goleiro de times menores, mas com passagem pela equipe B do Eintracht Frankfurt. Parou cedo de jogar, aos 23, após quatro cirurgias no braço. Então se dedicou aos estudos, alcançando a Licença A da UEFA para treinadores. Já com a formação profissional para treinar, trabalhou na base da federação alemã (DFB) do sub-15 ao sub-18 e em clubes pequenos da região de Bremen, onde nasceu.

"Sempre foi um sonho viver aqui, e um belo dia fechei os olhos e decidi me mudar com meus dois cachorros", lembra Andre, que mora atualmente em Linhares, no Espírito Santo, com os parentes brasileiros. A família carrega também outros DNAs importante do futebol no sangue; por parte do pai, alemão, há ascendência holandesa, assim como italiana por parte da mãe. No início deste ano, aceitou o convite para comandar o Rio Branco no Campeonato Capixaba e na Copa do Brasil. Antes disso, não pensava em lidar diretamente com futebol, estava disposto a abrir uma consultoria empresarial. No entanto, em Linhares souberam de "um alemão que trabalha com futebol", como ele mesmo explica, e ele passou a colaborar amigavelmente com o Linhares Futebol Clube em 2020. Por conta dessa relação surgiu o interesse do Rio Branco, e é uma boa história para contar.

"O presidente do Rio Branco me ligou no dia 31 de dezembro de 2020. Eu achei que era uma pegadinha, quando começou a falar sobre treinar o time. Estava reunido com a família, churrasco, uma ou duas caipirinhas, achei que era uma brincadeira dos meus amigos. Pedi para me ligar no dia seguinte, e ele me ligou às 9h30. Aí comecei a entender que era verdade, porque ninguém ligaria tão cedo no primeiro dia do ano". A partir daí o acerto foi rápido e fácil, apesar da enorme dificuldade do clube pela falta de estrutura no departamento de futebol.

Os resultados apareceram rapidamente. Trabalhou no grupo de jogadores com Paulinho, ex-Flamengo, e se surpreendeu com o interesse dos atletas em aprenderem novas ideias. Nos quatro primeiro jogos, três vitórias e uma derrota; incluindo o triunfo sobre o Sampaio Corrêa, da Série B, por 2 a 1 pela Copa do Brasil, garantindo a inédita classificação para a segunda fase do torneio. Andre, porém, teve que interromper o seu trabalho logo após essas quatro partidas por ter pego COVID; e seu quadro se tornou mais grave por ser diabético, tendo inclusive que ser internado.

Após se recuperar totalmente, a diretoria do Rio Branco o procurou novamente no segundo semestre, mas com o time em situação ruim na Série B. A equipe tinha apenas quatro pontos em seis jogos; já nas três primeiras partidas com Andre Visser, o Rio Branco somou cinco pontos. Nos dois derradeiros jogos, no entanto, duas derrotas selaram a eliminação. Logo na sequência, um pouco de futebol brasileiro na vida do técnico de futebol: "Quando aceitei o convite para retornar ao Rio Branco, me foi prometido um elenco forte e autonomia no trabalho, porém, nas últimas semanas isso não aconteceu. Não chegaram contratações e a gestão do clube tem optado por não renovar com jogadores importantes da equipe. Tem faltado organização e o elenco está cada vez mais enxuto. Como não tem sido feito o que foi combinado, optei pelo meu desligamento, explicou na época Andre.

Contatos já surgiram nos últimos meses, mas nada foi concretizado. Andre Visser segue observando o futebol brasileiro e acumulando experiências. "Quarta divisão na Alemanha é equivalente à Série B ou C no Brasil. Taticamente e tecnicamente com certeza, na parte física acho que os times brasileiros são superiores". Andre reclama da postura dos treinadores brasileiros que viu atuarem, acredita que brigam muito com os jogadores e pouco os orientam em campo. "Mantenho contato com meus jogadores do Rio Branco até hoje. Um elenco com jogadores top, acho que se trabalhássemos com esse grupo da primeira à última rodada na Série D a classificação era garantida".

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Dez jogadores brasileiros começaram a partida entre Real Madrid e Shakhtar Donetsk, nesta quarta-feira, pela Champions League. Fernando, pelo lado ucraniano, foi o único a marcar, mas quem brilhou foi Vinicius Júnior, mais uma vez. Deu as duas assistências para os gols marcados por Karim Benzema, que definiram a vitória merengue por 2 a 1.

Não há no futebol mundial um atacante brasileiro em melhor fase do que Vini Júnior. São 15 jogos na temporada, contando LaLiga, com nove gols e sete assistências. Bem além dos números, protagonismo e confiança de sobra para ser um dos destaques merengues. Muito disso passa pela forma como atua sob o comando de Carlo Ancelotti, e acima de tudo pela sequência recebida, algo que não acontecia com Zinédine Zidane e não acontece com Tite na seleção brasileira. Vinicius ainda tem apenas 21 anos e muito a melhorar.

No 4-3-3 estabelecido por Carleto em Madri, joga aberto pelo lado esquerdo e é a válvula de escape da equipe. Em vários momentos de recuperação de bola, os jogadores do Real Madrid imediatamente acionam o atacante brasileiro para puxar o contra-ataque na velocidade, até mesmo Thibaut Courtois. Com campo para jogar, é quase imparável neste momento no um contra um. Taticamente, também tem que fechar o lado do campo no 4-1-4-1, mas há uma peça fundamental no equilíbrio tático e nas coberturas: Casemiro.

Se o atacante brasileiro é quem brilha ao lado de Benzema, o meio-campista defensivo se destaca pela incrível regularidade. Contra o Shakhtar, Casemiro alcançou a marca de 300 jogos oficiais pelo Real Madrid - fica atrás apenas de Roberto Carlos e Marcelo. Contra o Shakhtar foi responsável por dois desarmes, uma interceptação, um passe decisivo, cinco lançamentos certos e 88,5% de acerto nos passes. Desde 2015-16 forma ao lado de Luka Modric e Tony Kroos uma trinca de meio-campo histórica no clube com três títulos de Champions e dois de LaLiga.

Se a confiança adquirida por Vinicius Júnior tem sido fundamental nesta temporada, Casemiro, aos 29 anos, vive um momento de plenitude na carreira. Domina completamente o setor do campo onde atua, joga com a cabeça erguida, parece saber os próximos movimentos de seus adversários para se antecipar a eles. Na prática, há muitos anos, disputa com N'Golo Kanté a condição de melhor do mundo na posição de meio-campista defensivo. Com Carlo Ancelotti, assim como era com Zidane, é um dos pilares da equipe em todas fases do jogo; desde a saída de bola em três, passando pelos lançamentos para os atacantes e a força defensiva.

Pelo nível de jogo apresentado pelo Real Madrid na temporada, há times que estão jogando mais; Bayern e Liverpool são os exemplos mais evidentes. LaLiga, no entanto, está totalmente aberta e, a cada rodada, os merengues passam a impressão de evolução. Na Champions League, ninguém em sã consciência duvida do Real Madrid. E muito de tudo isso passa pelos pés de Casemiro e Vinicius Júnior.

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Na região sul de Madrid, no barrío obrero de Vallecas, deu a lógica. Por mais incrível que possa parecer, a vitória do Rayo Vallecano, em casa, contra o Barcelona era uma aposta segura. A boa equipe do técnico Andoni Iraola manteve aproveitamento de 100% como mandante em cinco jogos e derrubou Ronald Koeman no Barça. Outro resultado que passou bem longe de ser surpreendente foi o empate do Real Madrid, no Santiago Bernabéu, com o Osasuna. Por mais que tenham jogado muito mais, os merengues pararam na organização defensiva dos comandados de Jagoba Arrasate, sétimos na tabela.

Somem a isso mais um tropeço do Atlético de Madrid, outra vitória da Real Sociedad, outro empate do Sevilla e a confirmação do ótimo momento vivido pelo Betis e temos uma disputa excelente pelas primeiras posições depois de 11 rodadas de LaLiga. Há times com um jogo a menos ainda, graças aos adiamentos ocorridos devido às Datas FIFA. De qualquer modo, cinco times somam apenas uma derrota, cada, até aqui: Real Sociedad, Real Madrid, Sevilla, Atlético e Athletic. Na outra ponta da tabela, Getafe e Levante são os únicos que ainda não venceram e ocupam a zona de rebaixamento com um limitado time do Cádiz.

Terceira vitória do Alavés na temporada, segunda seguida, resultado que tira a equipe da zona de rebaixamento e a aproxima, inclusive, do próprio Elche na tabela. A estratégia do técnico Javi Calleja, de pouca posse de bola (38%) funcionou. O time sofreu apenas quatro finalizações, sendo uma única no alvo, e teve 16 a favor (cinco corretas). Calleja montou sua equipe no 4-3-3, variando para o 4-1-4-1 sem a bola contra o 4-4-2 bem estabelecido do, agora, pressionado Fran Escribà. O único gol da partida, marcado pelo senegalês Mamadou Loum, saiu aos dois minutos do segundo tempo, em uma jogada clássica de bola parada: cobrança de escanteio, desvio na primeira trave e finalização na segunda. A curiosidade do lado do Elche é que, de todos argentinos do elenco (sete), desta vez apenas Lucas Boyé - que marcara nos dois jogos anteriores - foi titular.

O empate em 1 a 1 ampliou a invencibilidade de Espanyol e Athletic para quatro rodadas, ocupando a décima e a oitava posições respectivamente. Para variar Raúl de Tomás marcou (de pênalti, desta vez), sexto dele, se igualando a Mikel Oyarzabal como jogadores espanhóis com mais gols na temporada de LaLiga até aqui - só que aos 48 minutos do segundo tempo foi expulso e será desfalque contra o Getafe, fora de casa. Do outro lado, Iñaki Williams vai engrenando e soma agora três gols.

Se na Champions League o Villarreal luta pela classificação para as oitavas de final, em LaLiga a campanha é decepcionante. Duas únicas vitórias em dez partidas, seis empates (maior marca ao lado do Levante) e uma modesta 13a posição. Foi um jogaço contra o Cádiz, com direito a hat-trick de Choco Lozano para a equipe da Andaluzia e gol de Danjuma aos 50 minutos do segundo tempo para garantir o empate para o Submarino Amarelo. Aliás, o atacante holandês, contratado ao Bournemouth por 25 milhões de euros, é a melhor notícia para o Villarreal nesta temporada.

Futebol Ásia

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Erik Lamela começou a carreira no Sevilla bem demais. Foram três gols nas duas primeiras partidas, garantindo vitórias sobre Rayo Vallecano e Getafe nas duas rodadas iniciais de LaLiga. Depois disso, nada mais Até esta quarta-feira, quando empatou para o difícil jogo com o Mallorca, nas Ilhas Baleares com um golaço. Resultado que mantém a irregularidade do Sevilla, que ainda não conseguiu vencer por mais que duas rodadas seguidas. Já o Mallorca, depois do embalo inicial, soma agora apenas um triunfo nas últimas oito partidas.

Jamais um barcelonista ficará feliz com uma derrota, mas Ao menos o 1 a 0 para o Rayo Vallecano, com o quarto gol de Radamel Falcao García em seis partidas pela equipe, garantiu a demissão do técnico Ronald Koeman. Já não havia condições para a permanência do holandês desde o 2 a 0 para o Atlético de Madrid. Na despedida, armou o Barça no 4-2-3-1, deu mais uma chance a Philippe Coutinho, viu Memphis perder um pênalti no segundo tempo e vai embora sem deixar saudades na Catalunha como treinador - sua história como jogador importante do clube é eterna.

A goleada do Betis aponta para dois fatos muito claros neste momento de LaLiga: o time de Manuel Pellegrini pratica um futebol de alto nível e o Valencia, de José Bordalás, já não é o mesmo das rodadas iniciais. Borja Iglesias marcou duas vezes e correspondeu positivamente à titularidade. Os Ches tiveram desfalques importantes, como Carlos Soler e Maxi Gómez; a última vitória do Valencia foi no longínquo 12 de setembro, justamente um 4 a 1 também, contra o Osasuna.

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Houve um time em campo superior ao outro e esse foi o Real Madrid. Vinicius Júnior foi muito acionado pelo lado esquerdo e criou diversas chances de gol. Parecia, no entanto, aquele tipo de jogo que se tivesse 270 minutos não sairia gol de qualquer modo. Os madridistas tiveram 75% de posse de bola no 4-3-3 definido por Carlo Ancelotti, mas acertaram o alvo apenas três vezes. Foram pouquíssimo ameaçados pelo Osasuna, mas apesar da estatística mostrar nenhum finalização certa dos visitantes, a melhor chance da partida foi em um contra-ataque da equipe de Pamplona que parou na trave - oficialmente, bola na trave conta como finalização errada. Vale destacar a titularidade de Eduardo Camavinga e o jogo abaixo do que vimos em suas primeiras apresentações. Tanto é que foi, mais uma vez, substituído no intervalo com cartão amarelo recebido - oscilação normal para um garoto de apenas 17 anos que trocou o Rennes pelo gigante madrilenho.

A tentativa de reação do Celta na temporada parou na líder de LaLiga. Após vencer bem o Getafe por 3 a 0 na rodada passada, a equipe de Eduardo Coudet teve outra boa atuação, com mais posse de bola (57% x 43%) e finalizações (14 x 11) que a adversária, mas pagou o preço da baixa eficiência ofensiva - algo notório no time até aqui. Alexander Isak marcou mais uma vez e Aritz Elustondo, no final do jogo, garantiu a sétima vitória em 11 partidas da Real Sociedad, que não perde desde a estreia.

Em seu terceiro jogo à frente do Getafe neste retorno, Quique Sánchez Flores permanece sem vitória - assim com toda equipe. O empate, no entanto, também foi ruim para o Granada, primeiro fora da zona de rebaixamento, e aumenta a pressão sobre o técnico Robert Moreno por um desempenho melhor da equipe. E olha que a partida foi dominada pelos donos da casa, que tiveram 77% de posse de bola.

Outro tropeço do Atlético de Madrid, resultado bem ruim para um time que briga pelo bicampeonato nacional. Javier Pereira comandou o Levante apenas pela terceira vez e, assim como Sánchez Flores, também não venceu ainda - assim como toda equipe. Antoine Griezmann abriu o placar para o Atleti e Matheus Cunha marcou seu primeiro gol como colchonero; só que do outro lado o norte-macedônio Enis Bardhi anotou dois gols de pênalti, algo inédito em sua carreira.

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A saída de Lionel Messi e a falta de grandes contratações deixou LaLiga nesta temporada com menos destaque entre as grandes ligas europeias. De certa maneira, pela situação financeira do Barcelona e mesmo com o Atlético de Madrid forte, há clima de "temporada de transição". Isso pela expectativa da chegada de Kylian Mbappé e também de maior força econômica dos clubes espanhóis a partir de 2022-23 com o acordo entre a liga e o fundo de investimentos CVC. Tecnicamente, a competição permanece em alto nível, mas a grande quantidade de empates em 0 a 0 vinha sendo um destaque negativo. São 12 jogos sem gols até aqui, 13,9% do total; maiores números entre as cinco grandes ligas nacionais da Europa.

A décima rodada quebrou totalmente o padrão estabelecido em LaLiga nesta temporada. Foram 38 gols em dez partidas, com média altíssima de 3,8 por jogo, marca obtida pela última vez na rodada seis da temporada 2017-18. De qualquer modo, além das estatísticas, aconteceram grandes confrontos como o incrível Sevilla 5x3 Levante, além dos ótimos empates em 2 a 2 entre Valencia e Mallorca e também Atlético de Madrid e Real Sociedad. Tudo isso, claro, sem falar no maior clássico do futebol mundial, que aconteceu no domingo e terminou com vitória merengue.

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Chimmy Ávila marcou pela segunda rodada seguida, aos poucos vai recuperando a boa forma física e também goleadora. No entanto, o Osasuna, mesmo tendo finalizado muito mais do que o Granada (17x9), pagou o preço no final do jogo do aproveitamento ruim nas chances criadas. Aos 45 minutos do segundo tempo, Ángel Montoro, que entrara pouco antes, marcou um lindo gol, chutando da intermediária e encobrindo o goleiro Sergio Herrera. O Granada de Robert Moreno segue mal na tabela, apenas o 16o, com uma vitória em nove rodadas. Já o Osasuna é o sexto, apesar de ter a série de três vitórias seguidas encerradas.

Após o ótimo início de temporada, o Valencia já não vence há seis rodadas em LaLiga. No sábado, ainda comemorou o empate em 2 a 2 com o Mallorca pelas circunstâncias. Jogando no Mestalla, e com Carlos Soler no banco, os Ches levaram 2 a 0 no primeiro tempo. Soler, acompanhando de Omar Alderete e Marcos André, saíram do banco no intervalo e foram fundamentais na reação, alcançada apenas nos acréscimos (48 e 53), com os gols marcados por Gonçalo Guedes e José Gayà. O Mallorca, ainda sem Takefusa Kubo, lesionado, teve Kang-in Lee com assistência e cartão vermelho no início da segunda etapa.

Foram 23 finalizações do Cádiz, quatro no alvo, contra o Alavés: recordes desta temporada de LaLiga para um time que não conseguiu marcar. Melhor para os bascos, que venceram apenas a segunda partida na temporada de LaLiga e se aproximaram justamente do adversário da Andaluzia na tabela. O Alavés soma seis pontos e está a um da saída da zona de rebaixamento e, consequentemente, do Cádiz. Joselu marcou os dois gols da equipe e foi a três no Campeonato Espanhol; são quatro gols do Alavés na temporada, sendo que o outro foi marcado pelo zagueiro Laguardia na vitória sobre o Atlético de Madrid. Joselu ainda alcançou uma marca histórica: segundo jogador do Alavés em LaLiga a marcar 25 gols; o outro é Javi Moreno com 29.

Teve gol dos argentinos do Elche e de Raúl de Tomás para o Espanyol, e no final das contas as duas equipes empataram em 2 a 2 no sábado e se mantiveram em posições intermediárias na tabela. E foi um jogo bem aberto, com chances para os dois lados, o que é possível de constatar também pelas estatísticas finais: foram 12 finalizações do Elche e 20 do Espanyol, sendo sete a sete no alvo.

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Mais uma vez, Iker Muniain foi decisivo para o Athletic. De pênalti marcou o gol da vitória aos 32 minutos do segundo tempo, mas foi acima de tudo uma referência ofensiva dentro de campo. Como mandante, o Athletic venceu três de seus últimos quatro jogos, mesma marca obtida nos 12 anteriores e iniciais de Marcelino García Toral como treinador da equipe em LaLiga. Enquanto os bascos subiram para a oitava posição, o Villarreal caiu para a 13a com 11 pontos em nove jogos, somente duas vitórias.

Jogo com mais gols desta temporada nas cinco grandes ligas europeias, a vitória do Sevilla por 5 a 3 foi um jogo extremamente agitado. Tanto é que os oito gols saíram em somente 30 finalizações, quase um terço do total resultou em gols. Nenhum jogador do Sevilla marcou mais de um gol ou deu mais de uma assistência, tudo ficou bem dividido. Pelo Levante, que somou a segunda derrota em duas partidas com Javier Pereira como técnico, viu o doblete de José Luis Morales.

O melhor time jogou melhor e venceu. Simples assim. O Real Madrid mereceu a vitória em El Clásico contra o Barcelona, no Camp Nou. Grande partida de Vinicius Júnior e enorme atuação de David Alaba. O Real não fez um jogo brilhante, mas sabia exatamente como se movimentar e o que fazer diante da pressão catalã. Armou-se no tradicional 4-3-3, com a variação defensiva do 4-1-4-1, e aguardou os erros do Barça com as invenções de Ronald Koeman, que ainda acredita em Óscar Mingüeza no duelo com Vinicius. Muitas vezes, a impressão que passa é que Koeman arma o Barcelona no 4-3-3 forçado, contra sua vontade - que é fazer a linha de cinco defensores. Enfim, vitória merecida de um time superior, apesar da vantagem de apenas um gol no placar.

Dois dos times mais agradáveis de se ver jogar em LaLiga nesta temporada se enfrentaram no domingo, em Sevilha, com vitória do Betis por 3 a 2 sobre o Rayo Vallecano. Nos últimos dez jogos, contando Europa League, os comandados de Manuel Pellegrini somam sete vitórias, dois empates e somente uma derrota. Já a equipe de Vallecas perde fôlego após o excelente início, com a segunda derrota nas três últimas rodadas - ambas como visitante; como mandante segue com 100% de aproveitamento. Willian José marcou de novo, quarto dele na temporada pelo Betis.

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Desta vez no 4-3-3, o Atlético foi superado pelo ótimo time da Real Sociedad no primeiro tempo. Mesmo sem Mikel Oyarzabal, machucado, Imanol Alguacil preparou muito bem sua equipe taticamente, variando do 3-4-1-2 na fase ofensiva para o 4-4-2 ou 4-5-1 na defensiva - e com dois centroavantes na frente, Alexandr Isak e Alexander Sorloth. Apenas no segundo tempo, com as alterações feita por Diego Simeone e a retomada da linha de cinco defensores, o Atleti reagiu, melhorou e merecidamente conseguiu o empate - com dois gols de Luis Suárez. São 25 pontos somados após estar perdendo seus jogos, melhor marca entre todos clubes das cinco grandes ligas europeias em todo ano de 2021.

Parecia que o Celta teria mais um bom jogo, com domínio da posse de bola, controle do ritmo da partida e Perderia ou no máximo empataria. Em um intervalo de quatro minutos no segundo tempo, entre 10 e 13 minutos, duas grandes jogadas de Brais Méndez renderam os gols marcados por Santi Mina e Iago Aspas. A partir daí e da expulsão de Djéne, tudo ficou mais fácil. Thiago Galhardo entrou e ainda deu linda assistência para Santi Mina definir o placar. Vale destacar mais uma vez a boa atuação de Fran Beltrán como o "1" do 4-1-3-2 de Eduardo Coudet na vaga no lesionado Renato Tapia. Pelo Getafe, segunda partida com Quique Sánchez Flores, segunda derrota - segue sem vencer e com apenas dois pontos na lanterna.

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Definitivamente, não foi um domingo qualquer. Da Península Ibéria à Escandinávia, das ilhas britânicas ao sul dos Balcãs, da Europa central ao leste europeu, o Velho Continente viveu um domingo especial no futebol. Foram pelo menos 11 clássicos espalhados em nove países, com grandes jogos e muita história para contar.

Dois dos maiores jogos possíveis foram disputados na Espanha e na Inglaterra. No Camp Nou, o melhor time jogou melhor e venceu El Clásico; a vitória por 2 a 1 do Real Madrid sobre o Barcelona aumenta a vantagem merengue em LaLiga e a diferença entre os times na temporada. São quatro vitórias seguidas dos madridistas em todas competições, melhor marca no confronto desde 1965.

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Enquanto isso, em Old Trafford, o Liverpool escancarou a vantagem de possui força coletiva ao invés de apenas individualidades no 5 a 0 sobre o Manchester United; Mohamed Salah alcançou a inédita marca na história dos Reds de dez jogos seguidos marcando. Um domingo para Ronald Koeman e Ole Gunnar Solskjaer esquecerem.

Na Itália, dois empates em duas partidas que movem o país de norte a sul. O Derby d'Italia terminou em 1 a 1 e com gol de empate da Juventus com a Inter marcado aos 44 minutos do segundo tempo em Milão. Já no Derby del Sole, Roma e Napoli não saíram do zero - o que tirou o aproveitamento perfeito dos napolitanos na temporada da Serie A e, após o 6 a 1 do Bodo/Glimt, foi um bom resultado para os romanos. Aliás, vale destacar os números de Edin Dzeko: sete gols em dez jogos nesta temporada, mesma marca atingida com a camisa da Roma em 2020-21, mas em 27 partidas.

Os alemães tiveram um clássico menos conhecido na rodada da Bundesliga, o encontro entre Colônia e Bayer Leverkusen, um dos dérbis da região da Renânia, no oeste do país. Movimentado empate em 2 a 2, com o Leverkusen abrindo dois gols de vantagem com menos de 20 minutos e levando o empate com dois gols de Anthony Modeste no segundo tempo. Situação bem diferente do que aconteceu em Marselha com o empate em 0 a 0 entre Olympique e Paris Saint-Germain. Luan Peres titular, Gerson saindo do banco no time de Jorge Sampaoli; Neymar, Lionel Messi e Kylian Mbappé titulares nos parisienses. Sobre o argentino, quatro jogos da Ligue 1 e nenhum gol - pior sequência para abrir uma temporada desde 2005-06 (seis partidas para marcar o primeiro gol).

Por outro lado, duas das goleadas mais marcantes do final de semana na Europa aconteceram em clássicos. Na Holanda, os dois maiores vencedores da Eredivisie se enfrentaram em Amsterdã e o Ajax fez 5 a 0 no PSV, com mais um gol de Antony. Vale lembrar que, na abertura da temporada, a equipe de Eindhoven levou a Supercopa holandesa com uma goleada por 4 a 0 sobre o rival. Já na Rússia, a goleada virou atropelamento: 7 a 1 para o Zenit, em São Petersburgo, contra o Spartak Moscou; também com gol brasileiro, marcado por Claudinho.

Grécia e Dinamarca também tiveram rodadas nas respectivas Superligas marcadas por jogos tradicionais. O Olympiacos recebeu o PAOK e venceu por 2 a 1, jogo marcado por muitas confusões em anos recentes e enorme rivalidade entre as regiões de Pireus e Tessalônica; atual campeão, o Olympiacos não perde no Campeonato Grego desde abril, quando foi batido justamente pelo PAOK. O placar foi o mesmo do Dérbi de Copenhagen, que terminou com vitória do Brondby sobre o Copenhagen. Daqui duas semanas, os dois derrotados nos clássicos se enfrentam pela Conference League.

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Por fim, mas não menos importante, Londres foi palco mais uma vez de um de seus tantos dérbis. Vitória do West Ham, no Estádio Olímpico, por 1 a 0 sobre o Tottenham, gol marcado por Mikhail Antonio; resultado que coloca os Hammers na quarta colocação da Premier League após nove rodadas, atrás apenas de Chelsea, Liverpool e Manchester City. Por mais domingos de futebol assim; ou segundas, terça, quartas.

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Principais questões

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✅ Afinal, além dos títulos conquistados e dos números acumulados, você forma com Toni Kroos e Luka Modric um trio de meio-campistas inesquecível para o madridismo. Procuro não pensar nisso. É um privilégio jogar tantos anos no maior clube do mundo e acho que só terei a dimensão do que consegui construir quando tudo isso acabar um dia. Sobre jogar ao lado do Luka Modric e do Toni Kroos é um privilégio. Vou levar para a minha vida inteira o fato de ter atuado tanto tempo ao lado deles e vou contar para os meus netos que pude jogar com dois jogadores excepcionais, dois ícones do futebol.
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✅ O que posso dizer é que o Vinicius vive seu melhor momento, uma fase especial e além disso é jovem, tem um potencial de crescimento muito grande.


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